Governo polonês supera votação de confiança após escândalo de grampos
Varsóvia, 25 jun (EFE).- O governo da Polônia superou nesta quarta-feira a votação de confiança à qual se submeteu no Parlamento nacional por iniciativa do primeiro-ministro, Donald Tusk, que queria assim referendar o apoio ao Executivo após o escândalo provocado pelos grampos realizados em ministros de seu gabinete.
O Executivo de Donald Tusk, com maioria parlamentar graças à coalizão que reúne o partido governamental Plataforma Cidadã e o Partido Camponês, recebeu o apoio de 237 deputados, enquanto 203 votaram contra.
O chefe do governo polonês tinha pedido hoje que esta votação acontecesse “o mais rápido possível” já que, argumentou, o Executivo necessita contar com o “apoio claro” do Parlamento para enfrentar as futuras negociações com a União Europeia sobre segurança energética.
O principal partido da oposição, a formação Lei e Justiça, de Jaroslaw Kaczynski, tinha pedido a renúncia de Donald Tusk.
A gravação e posterior vazamento na revista “Wprost” de conversas particulares de vários ministros provocou a maior crise política que o partido de Tusk enfrenta em seus sete anos no governo polonês.
A última gravação divulgada pela “Wprost” mostra uma suposta conversa entre o titular das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, e o ex-ministro de Fazenda, Jacek Rostowski, na qual o primeiro teria dito que a aliança entre Polônia e os Estados Unidos não tem nenhum valor e “inclusive é prejudicial, já que cria uma falsa sensação de segurança”.
Antes do grampo ao ministro das Relações Exteriores, a revista tinha divulgado outra conversa entre o responsável do Banco Central da Polônia e o titular de Interior na qual ambos discutiam como o banco poderia ajudar o partido governamental a ganhar a reeleição em 2015.
Em seu discurso hoje no Parlamento, Tusk alertou que estas gravações “podem pôr em risco a estabilidade do Estado polonês”.
O primeiro-ministro declarou que os vazamentos devem ser visto “no contexto do conflito entre as indústrias do gás e do carvão”, e em relação com a situação que se vive na vizinha Ucrânia. EFE
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