Grécia enfrenta referendo após breve campanha marcada pela polarização

  • Por Agencia EFE
  • 04/07/2015 08h06

Atenas, 4 jul (EFE).- A Grécia se prepara para o referendo de amanhã, domingo, após uma breve campanha que foi marcada pela polarização e sob a pressão do controle de capitais.

Duas manifestações grandes de sinais opostos fecharam a campanha ontem no centro de Atenas, mas a sensação em ambas era de que, apesar de a pergunta se sobre aceitar ou não a proposta dos credores, o que está em jogo é o futuro da Europa.

Enquanto na praça Syntagma, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, pedia aos cidadãos que dissessem “não” ao “ultimato” e ao “medo”, lançando assim uma mensagem de “dignidade”, pouco ruas depois, no antigo estádio olímpico de Atenas, o prefeito independente Yorgos Kaminis fazia campanha pelo “sim”.

“Nos obrigam a votar sem nos dar tempo para pensar, para debater com calma, com uma pergunta que ninguém pode entender. Tsipras já não tem com quem discutir na Europa, ninguém acredita nele. Ninguém nos presenteou com a democracia, a construímos com muito esforço e a protegeremos”, disse Kaminis em meio de aplausos de gregos com a bandeira da União Europeia.

O referendo dividiu a sociedade grega, que está confusa diante de uma pergunta longa e complexa sobre uma proposta que foi retirada da mesa de negociação após expirar o programa de resgate grego, na terça-feira.

A falta de clareza foi, junto com fato de estar relacionada a questões fiscais, e convocado com só uma semana de antecedência, um dos argumentos esgrimidos no recurso de inconstitucionalidade que a Suprema Corte negou ontem por considerar que não pode se pronunciar sobre decisões governamentais desta natureza.

A campanha liderada pelo partido governamental Syriza dedicou seus esforços a comunicar que a vitória do “não” no referendo daria uma posição de força à Grécia nas negociações com os sócios.

A do “sim”, por outro lado, respaldada pelos principais atores da economia grega, os principais partidos da oposição e os demais líderes europeus, com uma atitude que foi denunciada pelos próprios cidadãos como uma “provocação”, se apresentou como a única forma de garantir que a Grécia continue dentro da zona do euro.

Tsipras não deixou de reiterar que seu governo chegará a um acordo com os credores na próxima terça-feira, seja qual for o resultado e insistiu que a permanência da Grécia na zona do euro não está em questão.

O ministro de Finanças, Yanis Varoufakis, chegou a afirmar que o Executivo está estudando medidas legais para conter a saída da moeda comunitária do país, se isto chegasse a ser pleiteado.

O Partido Comunista KKE se posicionou contra qualquer acordo entre a Grécia e os sócios europeus e chamou o voto nulo, com uma cédula do próprio partido em que rejeitam a proposta dos credores, mas também o terceiro resgate que Tsipras está disposto a assinar.

O “não”, por sua vez, pôs de acordo grupos tão ideologicamente opostos como a esquerda extraparlamentar e o partido neonazista Amanhecer Dourado, que consideram necessário dar um golpe nos membros da União Europeia.

Segundo as três últimas pesquisas publicadas ontem, o “sim” e o “não” estão praticamente empatados, com uma diferença de décimos – ambos rondam os 40% – e 10% dos gregos se declararam indecisos.

Devem votar neste domingo 10.837.118 gregos, e para que o resultado seja considerado válido, as normas exigem uma participação de pelo menos 40% do eleitorado.

Para muitos cidadãos que estão recenseados em seus locais de nascimento, mas vivem nas grandes cidades, isto significará ter de viajar no domingo, pois não é possível votar no lugar de residência.

Levando em conta que se trata do primeiro referendo no mundo, segundo a vice-ministra de Finanças Nadia Valavani, realizado com os bancos fechados e no meio de um controle de capitais, o desembolso para a viagem poderia representar uma dificuldade a mais.

Para isso, o governo tomou a decisão de oferecer preços especiais, tanto em trens como em transportes marítimos, e decretar a gratuidade em todos os trajetos em metrô, ônibus e bonde esta semana em Atenas. EFE

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