Grupos lamentam que papa não dialogará com classes desfavorecidas do Paraguai

  • Por Agencia EFE
  • 25/06/2015 14h23
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Assunção, 25 jun (EFE).- Grupos católicos e laicos expressaram nesta quinta-feira seu descontentamento porque o papa, que estará no Paraguai entre os dias 10 e 12 de julho, não dialogará com indígenas, camponeses e outras classes desfavorecidas do país.

De acordo com esses grupos, que organizaram um pequeno ato em frente à Catedral de Assunção, a programação feita pela Conferência Episcopal Paraguaia está organizada para que essas classes participem como meros espectadores da visita papal.

“É uma pena, porque a Igreja tem que escutar, e não há espaço para que o camponês paraguaio possa expressar e falar dos problemas que lhe afligem”, disse à Agência Efe o sacerdote Pedro Velázquez.

O sacerdote acrescentou que os indígenas também não terão a oportunidade de falar com Francisco, como fizeram com João Paulo II, em 1988, enquanto o Paraguai estava sob a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Velázquez também fez menção aos pobres das grandes cidades, especialmente os que vivem no Grande Assunção, aos quais se referiu como “camponeses do interior”, obrigados a deslocar-se aos centros urbanos devido à pobreza no campo.

“O papa é uma voz moral muito forte e os pobres no Paraguai foram muito humilhados e ignorados”, declarou.

Entre os atos programados na agenda de Francisco está prevista uma reunião com grupos civis no dia 11 de julho no estádio León Condou, em Assunção, do qual participarão, entre outros, representantes indígenas, de bairros pobres, e do coletivo LGTB.

No entanto, Velázquez opinou que nessa reunião não existirá nenhuma interlocução entre o papa e esses coletivos, que se limitarão a escutar suas palavras.

“(A visita papal) não está preparada para um encontro real com o povo paraguaio, como está no Equador e Bolívia”, lamentou Velázquez.

No entanto, o sacerdote ressaltou que a visita do papa vai servir para que os problemas sociais do Paraguai tenham eco no exterior e, ao mesmo tempo, será muito importante para a Igreja paraguaia.

Francisco é o segundo papa que visita o Paraguai depois de João Paulo II. Sua passagem pelo país faz parte de uma viagem maior que o levará também a Equador e Bolívia. EFE

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