“Há 90km de lama descendo o rio em nossa direção”, diz prefeito de Baixo Guandu

  • Por Jovem Pan
  • 10/11/2015 15h25
Abertura da barra sul da foz do Rio DoceGoverno do Espírito Santo se prepara para enchente de lama

A onda de lama decorrente do rompimento das barragens em Mariana, em Minas Gerais, chegou nesta terça-feira ao Espírito Santo. Os detritos já chegaram ao município do Colatina, no noroeste do Estado capixaba.

Em entrevista a Jovem Pan, o prefeito da cidade de Baixo Guandu, Neto Barros, afirmou que a onda de lama já deveria ter chegado e que está com cerca de 30 horas de atraso. “Estamos na expectativa de receber o material de rejeito misturado com lama e minério. A informação que temos é que há 90 quilômetros de lama descendo o rio em nosso encontro”, disse.

Segundo o Sistema de Alerta de Eventos Críticos (Sace), vinculado ao Serviço Geológico do Brasil, o material de rejeito que chegará aos municípios do Espírito Santo não causará inundações. “Não há perigo de inundações. O rio não se elevou mais que um metro, um metro e meio. O grande problema é o dano ambiental, material e moral que nossa região está sofrendo”, disse o prefeito.

Neto Barros ressaltou que não é apenas a população ribeirinha ou do Vale do Rio Doce que será afetada e destacou a gravidade de um dos maiores transtornos ambientais já ocorridos no Brasil. “Algumas pessoas não tomaram consciência da gravidade do acontecimento por onde esse lixo tóxico tem passado. tem matado o Rio Doce. Os transtornos são imprevisíveis e ainda incalculáveis”, lamentou.

Quanto ao abastecimento de água na região, o prefeito de Baixo Guandu afirmou que deverá ser interrompido por causa da qualidade da água captada. “Muito barro, muito detrito e a qualidade dessa água que vai chegar para a população. Chumbo, arsênico (…) é uma coisa muito séria”, explicou.

De quem é a culpa?

Para Neto Barros, o acontecimento não é uma tragédia da natureza e sim um mal causado pelo homem. “É preciso que as pessoas prestem atenção a todo o acontecimento. Precisa responsabilizar a empresa, cobrar uma pró-atividade maior”, disse em referência a mineradora Samarco, responsável pelas barragens em Mariana.

“Em um caso absurdo como esse a gente ainda não viu qualquer consequência para os responsáveis. É preciso cobrar uma responsabilização de quem tem culpa por esse evento, que é a Samarco (…) É preciso que não se deixe passar despercebido tudo isso”.

Mortes e desaparecidos

Segundo o Corpo de Bombeiros, quatro mortes foram confirmadas. Há 22 pessoas desaparecidas e mais de 600 pessoas estão desabrigadas e alojadas no ginásio da cidade e em hotéis. Os sobreviventes estão recebendo donativos, apoio médico, medicação e água. Segundo a prefeitura, mais 200 pessoas estão em casas de parentes.