Hillary Clinton defende classe média e promete acabar com vantagens dos ricos

  • Por Agencia EFE
  • 13/06/2015 18h24

Mario Villar.

Nova York, 13 jun (EFE).- No primeiro grande discurso de sua campanha à presidência da Casa Branca, Hillary Clinton se apresentou neste sábado como uma defensora da classe média e prometeu acabar com as vantagens para os mais ricos que aumentaram as desigualdades no país.

“Não me apresento para alguns americanos, e sim para todos os americanos”, disse Hillary perante os milhares de simpatizantes que compareceram ao ato em um parque de Roosevelt Island, em Nova York.

O lugar escolhido, que lembra o nome do presidente do “New Deal” com o qual os Estados Unidos responderam à Grande Depressão, é bastante simbólico para Hillary, que disse se inspirar nas políticas impulsionadas por Franklin Delano Roosevelt.

“Igualdade de oportunidades. Trabalho para o qual possa trabalhar. Segurança para os que precisam. O fim dos privilégios para poucos. A defesa das liberdades civis para todos. Um amplo e constante crescimento dos padrões de vida”, enumerou a candidata citando Roosevelt.

Estado onde mora, Nova York elegeu Hillary como senadora e é um dos maiores exemplos das desigualdades que afetam os EUA, com Wall Street e grandes fortunas compartilhando espaço com os mais desfavorecidos.

Esse problema foi o foco de boa parte do discurso da democrata, que disse se candidatar para garantir que a economia funcione “para todos” e não só para os ricos.

“A prosperidade não pode ser só para os executivos-chefes e os gerentes de fundos de investimento. A democracia não pode ser só para os multimilionários e para as grandes empresas”, argumentou.

Para ilustrar o problema, a candidata expôs um dado: os 25 maiores gerentes de fundos de alto risco dos EUA ganham mais que todos os professores de ensino pré-escolar do país juntos.

Hillary Clinton criticou os republicanos por favorecerem os poderosos com cortes de impostos e garantiu que, apesar de o partido contar com novas vozes, “todos continuam cantando a mesma canção”.

“Não podemos conseguir a mudança e solucionar problemas se voltarmos às políticas econômicas que falharam antes”, disse, lembrando que o país ainda está se recuperando de uma crise causada por essas ideias.

“O sucesso não se mede por quanto ganham os americanos mais ricos, mas por quantas crianças saem da pobreza, quantos pequenos negócios abrem e triunfam, quantos jovens vão à universidade sem se afundarem em dívidas, quanta gente pode encontrar um bom trabalho”, citou.

Para tirar as dúvidas de muitos eleitores, que a veem como alguém que está há décadas nos círculos de poder e afastada do cidadão comum, Hillary mencionou sua mãe, que cresceu sem pais durante a Depressão, e ressaltou a importância de todos terem uma oportunidade.

Além de mostrar seu lado mais humano, a democrata utilizou o humor para responder algumas das críticas recebidas de republicanos, entre outros.

“Todos os nossos presidentes chegam ao cargo mostrando-se muito vigorosos e depois vemos seus cabelos ficarem grisalhos e mais grisalhos. Eu tenho uma vantagem adicional: nunca verão meu cabelo grisalho na Casa Branca, uso tintura há anos!”, ironizou a candidata, que se vencer as eleições do próximo ano será a segunda pessoas mais velha a chegar à presidência americana, com 69 anos.

Fora da economia, Clinton se apresentou perante o eleitorado como uma grande defensora da mulher, dos homossexuais e dos imigrantes ilegais, para os quais defendeu um caminho rumo à cidadania, e não um “status de segunda classe”.

Hillary quase não mencionou a agenda internacional, mas quis destacar sua capacidade como líder capaz de enfrentar dirigentes estrangeiros, embora prefira a cooperação.

“Temos de ser inteligentes, além de fortes”, afirmou, apostando na diplomacia e na cooperação com povos ao redor do mundo, não só com governos.

A política democrata, foi acompanhada no ato em Nova York pelo marido, o ex-presidente Bill Clinton, e pela filha, Chelsea, que subiram ao palco para abraçar a candidata ao término do discurso. EFE

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