Holanda quer uma investigação “objetiva” sobre acidente de avião na Ucrânia
Haia, 18 jul (EFE).- O governo da Holanda quer uma investigação independente sobre o avião da Malasyan Airlines que caiu no leste da Ucrânia, supostamente derrubado por um míssil, com 298 pessoas a bordo, entre elas 173 holandeses.
“Queremos uma investigação absolutamente objetiva e que a Holanda tenha acesso a ela”, disse hoje o primeiro-ministro holandês Mark Rutte, após convocar uma reunião de crise de seu gabinete.
O primeiro-ministro também ressaltou a importância dos “corpos serem repatriados o mais rápido possível”, mas advertiu que “ainda há muita incerteza sobre os fatos” e as respostas não poderão ser dadas imediatamente.
O voo MH17 da Malasyan Airlines, que voava de Amsterdã para Kuala Lumpur, pode ter sido derrubado por um míssil, mas ainda não se sabe sua procedência.
O primeiro-ministro holandês conversou durante a madrugada com os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin.
O chefe do Kremlin expressou suas condolências pelo elevado número de vítimas holandesas e concordou com Rutte sobre a necessidade que se realizar uma investigação independente.
O presidente russo também afirmou ao líder holandês que a tragédia demonstra que “é preciso encontrar uma solução rápida e pacífica para a atual crise na Ucrânia”.
Rutte retornou de suas férias na Alemanha para se encontrar com o gabinete de crise formado na Holanda em função da tragédia aérea, a segunda maior da história do país, depois de um acidente ocorrido nas Ilhas Canárias (Espanha), em 1977, que deixou 238 mortos após dois aviões se chocarem.
A Holanda reagiu à tragédia com grande comoção: todos os edifícios institucionais hastearam bandeiras a meio mastro em sinal de luto.
No começo da manhã tinham sido recebidas mais de cinco mil mensagens de condolências registradas em uma página de internet aberta especialmente pelas autoridades com este objetivo.
Os reis da Holanda se mostraram impressionados pelo ocorrido e enviaram suas condolências aos familiares das vítimas.
Além disso, a Casa Real anulou a sessão fotográfica prevista para hoje, na qual os reis Willem-Alexander e Máxima iam posar juntos com suas três filhas para a imprensa, como costumam fazer a cada ano antes de iniciar suas férias.
Entre os holandeses mortos na tragédia está um reconhecido pesquisador sobre a aids, o cientista Joep Lange, que dirigia uma conferência internacional sobre a doença na Austrália, e uma família inteira da cidade de Cuijk, no leste do país.
Além das vítimas holandesas e outras 20 pessoas ainda não identificadas, estavam no avião 27 australianos, 44 malaios, 12 indonésios, quatro belgas, quatro alemães, nove britânicos, três filipinos, um canadense e um neozelandês, segundo os últimos dados atualizados da companhia aérea.
Após o incidente -no qual morreram três crianças- várias companhias aéreas anunciaram que evitarão temporariamente o espaço aéreo ucraniano, que até quarta-feira era considerado seguro por todas as companhias aéreas internacionais.
Várias centenas de familiares das vítimas holandesas se concentraram em um hotel próximo ao aeroporto de Amsterdam-Schiphol na espera de poder viajar para Kiev para reconhecer e repatriar os mortos. EFE
mr/dk
Comentários
Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.