HRW denuncia bombardeios da aviação iraquiana sobre civis em zonas do EI

  • Por Agencia EFE
  • 14/09/2014 13h17

Cairo, 14 set (EFE).- A organização Human Rights Watch (HRW) pediu neste domingo em comunicado que o governo iraquiano investigue vários bombardeios da aviação do Exército que acabaram com a vida de dezenas de civis em zonas controladas pelo Estado Islâmico (EI).

Sobre os bombardeios denunciados, a HRW destaca o ocorrido em 1 de setembro sobre uma escola na qual se refugiavam deslocados localizada perto da cidade de Tikirt, capital da província setentrional de Saladino, no qual morreram, segundo a organização, 31 civis, entre eles 24 crianças.

O comunicado afirma que, segundo três sobreviventes do ataque interrogados pela HRW, nenhum membro do EI se encontrava na zona.

“Somos todos homens tribais e, segundo nossas tradições, não deixamos os estrangeiros se sentar com nossas famílias”, assinala a nota, que cita um dos sobreviventes.

No entanto, o governo iraquiano assegurou à HRW que o piloto que realizou o ataque apontou para um carro que o militar pensou que transportava combatentes do EI e que circulava perto da escola, aparentemente carregando explosivos, o que provocou uma explosão “muito maior do que o normal”, ressalta o comunicado.

Além disso, a ONG internacional documentou que no mês de julho, 17 bombardeios da aviação iraquiana mataram 75 civis e feriram centenas deles em diferentes cidades do país.

“Os aliados do Iraque na luta contra o EI devem pressionar Bagdá para que detenha este tipo de violência”, disse na nota o assessor especial da HRW, Fred Abrahams.

Nesse sentido, o comunicado defende que os governos estrangeiros que forneçam ao Iraque apoio militar e assistência, devem assegurar que sua ajuda não é utilizada em “violações das leis da guerra”.

“A luta contra os estremecedores abusos do EI não podem ser uma carta branca para que o governo iraquiano mate dezenas de civis sem um alvo militar claro”, acrescentou Abrahams.

Na quinta-feira, os Estados Unidos e dez países árabes chegaram a um acordo global na cidade saudita de Jidá para enfrentar o terrorismo, especialmente o EI no Iraque e Síria, desenhado segundo um plano proposto por Washington.

A HRW realiza esta denúncia um dia depois que o primeiro-ministro iraquiano, Haidar al Abadi, comunicou que na quinta-feira que ordenou pôr fim aos bombardeios aéreos em todas as zonas onde ainda restam civis, embora nelas haja presença de jihadistas do Estado Islâmico (EI).EFE