Incêndio que matou 242 na boate de Santa Maria completa um ano; prefeito quer justiça

  • Por Jovem Pan
  • 26/01/2014 08h25
Frente da boate Kiss após incêndio que matou 230 pessoas em janeiro do ano passado Folhapress Vítimas da Boate Kiss

Nesta segunda-feira, (27), completa um ano do incêndio na boate Kiss, em Santa Mariam Rio Grande do Sul, que matou 242 pessoas e feriu 116. A maioria das vítimas era estudante da Universidade Federal de Santa Maria.

A festa teve início no dia 26, mas o fogo começou por volta das 2h30 da madrugada do dia 27 após um integrante da banda Gurizada Fandangueira usar um sinalizador durante a apresentação. As chamas atingiram a espuma altamente inflamável do teto da casa noturna e o incêndio e o desespero começaram.

O centro Desportivo Municipal foi escolhido para velar os mortos e, na época, a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias.

Os dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Hoffmann foram foram presos temporariamente, assim como dois integrantes da banda, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos.

A Boate Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás e o local estava superlotado. O inquérito constatou que a espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular. A polícia afirmou que as grades de contenção de ferro obstruíram a saída das pessoas do local e o fato de ter apenas uma porta de entrada e saída dificultou a fuga das vítimas.

O prefeito de Santa Maria afirma ser o principal interessado na prisão dos responsáveis pela tragédia. Cezar Schirmer critica a justiça pela lentidão. “A justiça no nosso país não é rápida. Se alguém deseja que se faça justiça sou eu”, disse.

“Uma tragédia com essas dimensões tem que ter um legado de aprendizagem para que não se repita mais em nenhum lugar do Brasil, mas também que as responsabilidades sejam claramente definidas e os responsáveis sejam punidos com o rigor da lei”, completou.

O prefeito e outras autoridades da cidade participam neste fim de semana de um congresso para discutir a tragédia. Já os familiares das vítimas promovem uma vigília.

Os processos contra os sócios da casa e os músicos ainda estão em andamento e, por enquanto, ninguém foi responsabilizado.

O acontecimento é considerado a segunda maior tragédia do Brasil em número de vítimas em um incêndio.