Índia confirma que diplomata envolvida em polêmica deixou os Estados Unidos

  • Por Agencia EFE
  • 10/01/2014 05h45

Nova Délhi, 10 jan (EFE).- A Índia confirmou nesta sexta-feira que a diplomata cuja prisão originou uma disputa entre Nova Délhi e Washington está a caminho da Índia depois de deixar os Estados Unidos.

A ex-vice-cônsul indiana em Nova York, Devyani Khobragade, de 39 anos, obteve na quarta-feira imunidade total depois que se juntou à delegação indiana na sede nova-iorquina das Nações Unidas, informou o Ministério das Relações Exteriores indiano em comunicado.

Devyani, de 39 anos, tinha acabado de ser acusada formalmente de fraude pelas autoridades americanas por causa da contratação irregular de uma empregada doméstica, mas a mudança de posição da diplomata facilitou sua saída do país.

De acordo com o comunicado, os EUA pediram à Índia que retirasse a imunidade diplomática de Devyani, mas o governo indiano se negou a fazê-lo.

O pai da ex-vice-cônsul, Uttam, afirmou hoje em entrevista coletiva em Nova Délhi que a promotoria pediu que sua filha se declarasse culpada dos crimes dos quais é acusada e pagasse uma multa, uma proposta que foi rejeitada.

“Devyani lutava para manter a soberania deste país. Quando lhe ofereceram alternativas, ela sacrificou sua comodidade pessoal”, disse Uttam.

O Ministério das Relações Exteriores indiano afirmou também que a diplomata reiterou “sua inocência de todas as acusações” e “reafirmou sua determinação para garantir que o episódio não tenha impacto em sua família, em particular em seus filhos, que permanecem nos Estados Unidos”.

Um júri federal de investigação acusou Devyani de dois crimes, mentir na solicitação de visto para sua empregada doméstica e realizar falso testemunho, segundo uma nota da Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York.

De acordo com a denúncia, a diplomata disse no formulário que pagaria à empregada um salário de US$ 9,75 por hora, quando na verdade pagava 30 mil rúpias mensais, o que representa US$ 3,33 se a doméstica trabalhasse 40 horas por semana.

Além disso, a vítima trabalhava em torno de 100 horas por semana, sem dias livres, por isso seu salário era de pouco mais de um dólar por hora e, além disso, teve seu passaporte retido, segundo o promotor.

A prisão de Devyani em dezembro do ano passado gerou um incidente diplomático e uma onda de protestos antiamericanos na Índia, que desembocaram em uma série de medidas de pressão do governo indiano contra a embaixada dos EUA no país.

A indignação de Nova Délhi aumentou quando a diplomata afirmou que tinha sido submetida à revista íntima e colocada em uma cela com criminosos comuns. EFE