Índia pede que diplomata americano saia “imediatamente” do país

  • Por Agencia EFE
  • 10/01/2014 13h45

Nova Délhi, 10 jan (EFE).- A Índia pediu nesta sexta-feira que os Estados Unidos “retirem imediatamente” de sua embaixada em Nova Délhi um funcionário que aparentemente está envolvido na detenção de uma diplomata indiana em Nova York, em dezembro de 2013, informou a imprensa local.

O governo do país asiático solicitou formalmente às autoridades americanas que administrem a saída de um diplomata “de categoria similar” à da indiana Devyani Khobragade, detida no mês passado.

“Temos razões para crer que esse diplomata (americano) esteve envolvido de maneira muito próxima no processo relacionado ao caso de Devyani e na conseguinte ação unilateral dos EUA”, afirmou uma fonte oficial, não identificada, à agência indiana “Ians”.

Devyani, de 39 anos, saiu dos EUA em direção à Índia após obter na última quarta-feira imunidade total, adscrita subitamente à delegação indiana na sede nova-iorquina das Nações Unidas, explicou hoje o Ministério das Relações Exteriores do país asiático.

A até então vice-consulesa em Nova York acabava de ser acusada formalmente de fraude pelas autoridades americanas por causa de irregularidades na contratação de uma empregada doméstica, mas a mudança de posto permitiu que a diplomata deixasse os EUA.

De acordo com o comunicado do ministério das Relações Exteriores, os Estados Unidos pediram que a Índia retirasse a imunidade diplomática de Devyani, mas o governo se negou a fazê-lo.

O pai de Devyani, Uttam, afirmou hoje em entrevista coletiva em Nova Délhi que a promotoria de Nova York ofereceu a sua filha um acordo para que ela se declarasse culpada dos crimes dos quais foi acusada e pagasse uma multa, mas a proposta foi rejeitada.

“Devyani lutava para manter a soberania de seu país. Quando ofereceram alternativas, ela sacrificou sua comodidade pessoal”, disse Uttam.

Um júri federal de investigação acusou Devyani de mentir na solicitação de visto para sua empregada e de fazer falsos testemunhos, segundo uma nota da promotoria federal do Distrito Sul de Nova York.

De acordo com as autoridades americanas, Devyani falsificou dados sobre o salário da empregada doméstica, de pouco mais de um dólar por hora, e, além disso, reteve o passaporte da funcionária.

A detenção de Devyani em dezembro causou um incidente diplomático e uma onda de protestos contra os Estados Unidos na Índia, que resultaram em uma série de medidas de pressão do governo indiano contra a embaixada dos EUA.

A situação se agravou quando Devyani disse que tinha sido revistada, submetida a explorações de suas “cavidades corporais” e trancada em uma cela como se fosse uma criminosa. EFE

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