Indústria Em Marcha Lenta: O futuro do setor automobilístico no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 27/05/2015 08h41
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Renato Stockler/Folhapress Carros Flex rendem mais

Neste terceiro e último capítulo da série especial “Indústria Em Marcha Lenta”, a repórter Jovem Pan Helen Braun monta o quadro do futuro do setor automobilístico no Brasil.

O país possui hoje mais de 20 marcas de automóveis instaladas em seu território. Uma força que produziu, apenas no ano passado, mais de 3 milhões de carros, ônibus e caminhões. Mesmo em um cenário de crise, empresas do setor continuaram desembarcando no país – desde as mais populares até as mais luxuosas.

O diretor do Centro de Estudos Automotivos e ex-presidente da Ford no Brasil, Luis Carlos Mello, explica que o fenômeno não é por aleatório. “Temos um número muito grande de fabricantes e eles não vieram pra cá como inocentes, mas pela grande quantidade de incentivos”, diz.

Inocência é uma palavra que não existe no mundo dos negócios. A chinesa Chery, por exemplo, chegou ano passado à cidade de Jacareí, no Vale do Paraíba. É a primeira instalação da empresa fora da China. O investimento girou em torno de R$1,2 bilhão. Parece muito dinheiro, mas Luis Curi, vice-presidente da empresa no Brasil, explica que o retorno virá no médio-longo prazo. “É um mercado emergente, como a nossa matriz na China, com potencial de crescimento muito grande e prevemos que o mercado vá aumentar nos próximos 15 a 20 anos”, explica.

Quem comemorou foi o município de Jacareí: expectativa de criação de empregos, aumento de arrecadação e chegada de empresas sistemistas. O prefeito Hamilton Ribeiro Mota diz que que a cidade não pode parar por causa da crise. “Há diminuição no ritmo de desenvolvimento da cidade, mas a crise é cíclica e se não trabalharmos na crise ficaremos para trás”, analisa.

Trabalhar hoje para não ficar para trás amanhã. É baseado nisso que o governo federal decidiu refazer as contas para que o país consiga reverter a espiral negativa e volte a crescer. O ajuste fiscal surge como salvador da pátria. No entanto, o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Alves critica as ações. “A indústria está passando por dificuldades muito graves e isso não entrou no radar do governo como deveria”, opina.

Neste cenário sem investimento, o Brasil precisa retomar a confiança e o governo precisa ouvir o setor para não ficar para trás. É através de inovações industriais que muitos países conseguiram avançar economicamente e os números mostram que as automotivas ainda confiam no nosso País: são mais de R$10 bilhões investidos em menos de 2 anos. Basta agora que o Brasil volte a confiar nelas também. Talvez aí esteja uma saída, não para a atual crise apenas, mas para qualquer outra que possa surgir.

Ouça reportagem completa no áudio acima.

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