Indústria recua em junho e tem 5º mês seguido de queda

  • Por Reuters
  • 01/07/2015 11h29
An employee of Ajinomoto Co works on a Hon-Dashi, or bonito base seasoning packaging line at the company's Kawasaki factory in Kawasaki, south of Tokyo, Japan, June 29, 2015. Japanese industrial output fell in May at the fastest pace in three months, adding to fears the economy may have contracted in the current quarter and putting the onus on consumers to drive a near-term rebound as exports remain in the doldrums. REUTERS/Yuya ShinoIndústria

A indústria brasileira encerrou o segundo trimestre com contração em junho devido às dificuldades econômicas que afetam a entrada de novos negócios, ainda que o ritmo de retração da atividade tenha enfraquecido, apontou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta quarta-feira.

O Markit informou que seu PMI para o setor industrial do Brasil subiu a 46,5 em junho, contra 45,9 em maio, no quinto mês abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração e com destaque para investimentos. Mas apesar de a leitura ter sido a mais alta desde fevereiro (49,6), não há expectativas de recuperação.

“Parece que o fim da contração ainda não está em vista. Mesmo o real mais fraco falhou em estimular a demanda externa. Não há como negar que este ano será desafiador para o setor industrial brasileiro e a economia mais ampla”, apontou em nota a economista do Markit Pollyanna De Lima.

Em junho, as empresas relataram que a persistente queda na entrada de novos negócios foi o principal motivo do recuo no volume de produção, mesmo tendo sido pela taxa mais lenta em quatro meses. “O mercado interno continuou a ser a principal fonte de enfraquecimento”, apontou a nota.

Segundo o Markit, os volumes de pedidos caíram em todos os três subsetores, com mais força o de bens de capital (uma medida de investimento), diante de condições econômicas difíceis e taxas fortes de inflação.

A quantidade de novos pedidos para exportação também diminuiu em junho, com os entrevistados apontando incapacidade de precificar competitivamente, com as cargas de custos aumentando ainda mais.

Diante dessa situação, as empresas cortaram vagas de trabalho pelo quarto mês seguido, porém pela taxa mais fraca nesta sequência de perdas. O movimento refletiu a menor necessidade de produção, mas também tentativas de controle de custos.

Em relação à inflação, os preços dos produtos subiram pela taxa mais fraca desde outubro do ano passado, devido, segundo o Markit, a uma forte concorrência, demanda fraca e aumentos de custos mais leves. A inflação dos insumos chegou ao menor nível do ano, apesar dos preços mais caros de metais, produtos químicos, alimentos e energia.

“As taxas de inflação desaceleraram no último mês, em parte devido aos recentes aumentos na taxa de juros básica… Parece que os esforços do Banco Central para combater a inflação estão finalmente chegando ao mercado, embora pareça que a política contracionista está afetando ainda mais o modelo de crescimento liderado pelo consumo”, completou Pollyana.

A indústria brasileira vem sendo um dos principais pesos sobre a cambaleante economia do país, com expectativa de que o setor registre neste ano contração de 4%, segundo a última pesquisa Focus com analistas. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa era de queda de 1,49%.

O Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) divulga na quinta-feira os números de maio da produção industrial, após queda de 1,2% em abril sobre o mês anterior.

Pesquisa Reuters mostrou que, pela mediana das expectativas, a produção deve ter encolhido 0,6% em maio, sobre abril, e 10,2% sobre um ano antes.