Intenção de consumo da família paulistana cai ao menor nível desde 2009

  • Por Agência Brasil
  • 06/01/2015 16h19

Pelo 23º mês seguido, em dezembro último as famílias paulistanas declararam que estão reduzindo o consumo, segundo mostra o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) que recuou 0,4% em dezembro, fechando o ano em 108,7 pontos. Essa foi a mais baixa pontuação para um mês de dezembro desde o início da série histórica, que começou em 2009, e se aproximou do recorde negativo, registrado em agosto do ano passado (107,9 pontos).

O levantamento – feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP) – indica, em uma escala que vai de zero a 200, o maior ou menor grau de satisfação dos consumidores. Acima de 100 é perspectiva positiva; abaixo, negativa.

Na sondagem de dezembro, o resultado foi influenciado, principalmente, pela perspectiva de consumo, um dos nove componentes do índice, que apresentou retração de 4,2% sobre novembro, e de 20,8% na comparação com dezembro do ano passado.

Na faixa de renda abaixo de dez salários mínimos foi verificada estabilidade no mês, com 110,9 pontos, mas quando comparado ao mesmo mês de 2013, ocorreu recuo de 13%. Já nas famílias com ganhos acima desse teto, o índice caiu 1,6%, ao atingir 102,1 pontos ante novembro, e foi 14,2% inferior a dezembro de 2013.

“As famílias sinalizam que, por enquanto, é um mau momento para a aquisição de bens como casas, automóveis e eletrodomésticos”, diz a nota da FecomercioSP. Jà quanto ao consumo atual, foi constatado leve crescimento de 0,8% sobre novembro, mas registra retração de 13,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Pela oitava vez seguida, a pontuação ficou abaixo dos 100 pontos, atingindo 83,3.

O economista da FecomercioSP Guilherme Dietze informou que metade do universo entrevistado manifestou intenção de consumir nos próximos três meses, e os demais declararam que não pretendem consumir. A sondagem foi feita com 2,2 mil consumidores da cidade de São Paulo. “O consumidor está mais cauteloso, e preferindo quitar dívidas, em vez de fazer novos endividamentos”, enfatizou.

Ele observou que além do efeito inflacionário, que tem comprometido mais o orçamento das famílias, ocorreu forte pressão vinda do aumento dos juros praticados pelo mercado, que oscilou 42,5% em média ao ano, ao longo de 2014, ante 35,9% em 2013.

A pesquisa mostra também que o consumidor está evitando comprometer sua renda com prestações de longo prazo, temendo o desemprego. A taxa sobre o emprego atual indicou 0,4% de queda sobre novembro e 13,3% na comparação com dezembro de 2013.