Investigadores apresentam avanços para prever e tratar o câncer de mama

  • Por Agencia EFE
  • 08/07/2015 15h08

Londres, 8 jul (EFE).- Um novo estudo sobre o papel de hormônios como a progesterona e o estrogênio no desenvolvimento do câncer de mama poderia oferecer avanços “importantes” em sua previsão e tratamento, publicou nesta quarta-feira a revista britânica “Nature”.

A pesquisa, levada a cabo por cientistas em universidades de Reino Unido, Austrália e Estados Unidos, pretende “melhorar o entendimento” sobre a função que esses hormônios desempenham e a relação que mantêm com seus receptores no desenvolvimento de uma mama sadia e de outra afetada por células cancerígenas.

Estudos anteriores sugeriram que tanto em uma “mama normal” como em uma “com câncer”, os receptores de estrogênio (ER, sigla em inglês) têm influência sobre a atividade dos receptores de progesterona (PR).

Nesse contexto, os PRs “foram usados como biomarcadores da função dos ERs, o que, por sua vez, determinou as decisões adotadas em relação ao tratamento”, afirmaram os autores da pesquisa no documento.

Por outro lado, os cientistas à frente desta pesquisa, Wayne Tilley, da Universidade de Adelaide (Austrália), e Jason Carroll, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), deram uma giro de 180 graus nessa colocação ao propor que são os PRs que condicionam o funcionamento dos ERs.

Segundo eles, os receptores de progesterona freiam, de maneira efetiva, a atividade dos receptores de estrogênio ao determinar onde interagem com o DNA e “quais são os genes específicos”.

Esta descoberta, garantem os pesquisadores, poderia explicar porque os PRs são “bons biomarcadores” e por que “a progesterona pode ser útil no tratamento contra o câncer”.

Neste sentido, os cientistas defendem a adoção de um enfoque “de dupla segurança” que combine o “tratamento com progesterona” com remédios que “bloqueiem a atividade” dos receptores de estrogênio.

Este tratamento, asseguram os cientistas, resultou “particularmente efetivo” para desacelerar o crescimento do câncer de mama em células animais e em modelos de cultivo, o que sugere que esses “tratamentos combinados” poderiam ser “clinicamente úteis”. EFE