Irã adverte EUA sobre não atacar Síria em sua luta contra o EI

  • Por Agencia EFE
  • 13/09/2014 13h36

Teerã, 13 set (EFE).- O presidente do parlamento iraniano e influente político, Ali Lariyani, advertiu neste sábado a Washington sobre não atacar território sírio “sob o pretexto” de sua luta contra os islamitas do Estado Islâmico (EI).

“Tenham cuidado para não cometer outro erro e atear fogo na região realizando missões em um ou dois outros países sob o pretexto de lutar contra Daesh (acrônimo árabe para o EI)”, disse Lariyani à rede de televisão nacional “Irin”.

“Não deixemos que (EUA) pensem que podem atacar também a Síria sob essa desculpa”, disse, advertindo que se isso ocorrer, toda a região ficará contra os americanos.

Lariyani também criticou a coalizão contra o EI impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

“Onde está a lógica? Não existe a ordem internacional neste mundo? Que peçam permissão ao Conselho de Segurança (da ONU)”, sugeriu.

Além disso, Lariyani aproveitou para condenar as sanções dos EUA contra a Rússia.

“Quando veem que não podem alcançar suas conquistas através da ONU ou do Conselho de Segurança, formam uma coalizão. Como a coalizão que foi formada para sancionar o Irã e a que formaram agora contra a Rússia”, assinalou.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Marzie Afjam, mostrou nesta semana desconfiança de seu governo rumo à coalizão que os EUA impulsionam para lutar contra o grupo armado islamita.

“Há dúvidas sobre a seriedade e honestidade da coalizão que foi formada após a cúpula da Otan para a luta contra os terroristas”, disse a porta-voz, que destacou que “alguns membros” dessa nova coalizão “estão entre os países que dão apoio financeiro e de segurança a grupos terroristas” nesses dois países.

O EI proclamou no final do junho passado um califado no Iraque e Síria, onde tomou amplas partes do território.

Um mês após ordenar ataques seletivos contra esse grupo no Iraque, o presidente americano anunciou nesta semana a ampliação de sua ofensiva e sua extensão à Síria e se comprometeu a treinar a oposição desse país como aliado-chave em sua campanha.

Obama anunciou que atacará o EI com uma ofensiva “implacável”.

Os EUA asseguraram que cerca de 40 países se comprometeram já de alguma forma combater o EI, embora não tenha anunciado formalmente os membros da coalizão. EFE