Irã e G5+1 retomam negociações que líder iraniano define como “inúteis”

  • Por Agencia EFE
  • 17/02/2014 16h02

Viena, 17 fev (EFE).- O Irã e as grandes potências do G5+1 se reunirão nesta terça-feira em Viena para negociar um acordo definitivo que permitirá esclarecer se o programa atômico iraniano é pacífico, em conversas que o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, classificou como “inúteis”.

“A tarefa iniciada pelo Ministério das Relações Exteriores continuará. O Irã não quebrará a promessa (negociadora) que fez. No entanto, digo que é inútil e que não levará a lugar nenhum. Mas os funcionários farão o esforço”, opinou nesta segunda-feira o aiatolá.

Khamenei justificou seu pessimismo, transmitido em discurso em seu site, no qual chama “recentes e infundadas acusações de senadores e altos cargos dos Estados Unidos contra o povo iraniano”.

O aiatolá defendeu, no entanto, a continuação das negociações, embora considere ingênua a visão de alguns responsáveis iranianos que, “se negociarem, a questão nuclear será solucionada”.

As dúvidas do líder supremo contrastaram com o moderado otimismo mostrado hoje pela chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, ao chegar a Viena para iniciar amanhã os contatos esperados para se encerrarem na quinta-feira.

Catherine declarou à imprensa que é “cautelosamente otimista” sobre o desenvolvimento das negociações, e que espera obter “resultados palpáveis” delas.

A representante da UE para a Política Externa é a encarregada de coordenar os contatos em nome do G5+1, formado por Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha.

À frente, terá Mohammad Javad Zarif, o ministro das Relações Exteriores do Irã, com quem deve jantar hoje.

As negociações de Viena buscam fechar um acordo definitivo, após o pacto interino de novembro de 2013, que obrigou o Irã a suspender algumas das polêmicas atividades nuclear em troca do levantamento de algumas sanções e do compromisso internacional de não impor outras adicionais durante um prazo de seis meses.

Em virtude desses compromissos, o Irã congelou todas as atividades de enriquecimento de urânio acima de 5% e reduziu as reservas de urânio enriquecido a 20%, um nível que aponta a um domínio técnico da depuração desse material. Para armar uma bomba nuclear é preciso enriquecer o urânio a 90%.

As conversas em Viena, em que também participam diplomatas de alto nível das potências do Grupo 5+1, serão as primeiras de uma série que buscará nos próximos seis meses um acordo definitivo que encerre uma década de tensões entre a comunidade internacional e o Irã.

O país vem negando que almeje um arsenal nuclear, enquanto as potências ocidentais e Israel, mostrando relatórios de inteligência, suspeitam que o Teerã tenha aspirações que vão além de um simples programa atômico civil. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi incapaz de esclarecer em uma década de inspeções se o programa atômico iraniano tem natureza exclusivamente pacífica.

O porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Michael Mann, disse na sexta-feira passada, em Bruxelas, que serão abordadas em Viena “todas as preocupações sobre o programa nuclear iraniano”, enquanto Zarif afirmou que os contatos serão duros e intensos.

Entre os assuntos espinhosos está a construção do reator de Arak, no oeste do Irã, que gerará plutônio, uma substância, assim como o urânio enriquecido, de uso civil e militar.

O Irã sustenta que o propósito do reator é produzir radioisótopos médicos e gerar 40 megawatts de energia térmica.

“O reator de água pesada de Arak é um dos temas mais importantes e difíceis para ser debatidos no processo de negociações”, expôs no domingo de negociadores nucleares iranianos, Hamid Baeidi-Nejad, à agência “Fars News”.

Os responsáveis iranianos insistem que o país tem o direito de desenvolver tecnologia atômica civil, enquanto as potências internacionais aspiram a limitar a capacidade nuclear do país de forma permanente.

O acordo nuclear interino foi conseguido graças ao avanço que trouxe a eleição de Hassan Rohani como novo presidente iraniano, considerado moderado com relação ao antecessor, o conservador Mahmoud Ahmadinejad. EFE