Islamitas moderados criticam terrorismo jihadista

  • Por Agencia EFE
  • 04/12/2014 14h49
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Cairo, 4 dez (EFE).- A instituição de Al-Azhar, a mais prestigiada do mundo muçulmano sunita, se desvinculou nesta quinta-feira no Egito do extremismo jihadista que afeta a região e qualificou as ações terroristas de “crimes contra a humanidade”.

Segundo o comunicado final de uma conferência encerrada hoje no Cairo, que teve a presença de líderes de entidades religiosas muçulmanas e cristãs, a organização “alçou sua voz islâmica” contra os que “transgridem a fé e utilizam a violência e o terrorismo sob a bandeira do islã” para atacar civis inocentes.

Al-Azhar advertiu que a “verdadeira religião” não justifica a violência, o assassinato de inocentes, a agressão ao patrimônio e a destruição de lugares sagrados, e afirmou que se tratam de “crimes contra a humanidade que o islã condena na forma e no conteúdo”.

Além disso, considerou que invadir nações para “dividir países em pedaços” apresenta ao mundo uma imagem “distorcida e detestável” do islã, em referência à declaração do Estado Islâmico (EI) de um califado nos territórios sob seu controle no Iraque e na Síria, assim como em parte do norte da África.

Al-Azhar reiterou que o islã moderado concebe o jihadismo como “crimes terroristas” que ameaçam a paz, a unidade, a justiça, a generosidade, a irmandade e a humanidade pelas quais a instituição religiosa zela.

E insistiu que os muçulmanos e os cristãos no Oriente Médio são “irmãos”, pertencem todos a “uma mesma civilização e comunidade”, e conviveram juntos durante séculos.

A instituição lamentou que a região viva uma situação de “instabilidade e confusão sem precedentes” pela aparição do extremismo e do terrorismo, e pediu “compromisso e responsabilidade” de líderes, intelectuais e jornalistas do Ocidente para evitar apresentar uma imagem “estereotipada” do islã.

Além disso, convidou a manter um diálogo mundial de cooperação para conseguir a paz e divulgar a justiça.

A nota de Al-Azhar fez referência à “lavagem cerebral” realizada através de interpretações “equivocadas” do Corão, e pediu aos clérigos religiosos que eduquem e mostrem o “verdadeiro” islã para que não seja utilizado em prol do terrorismo.

Apesar dessa declaração, os participantes do fórum não tomaram nenhuma medida concreta para lutar contra o extremismo jihadista, que cresce na região e que já provocou milhares de mortos, feridos e deslocados. EFE

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