Israel se despede de Sharon com funeral de Estado em Jerusalém

  • Por Agencia EFE
  • 13/01/2014 09h05

Jerusalém, 13 jan (EFE).- Israel se despediu nesta segunda-feira do ex-primeiro-ministro Ariel Sharon em uma grande cerimônia oficial no Parlamento que contou com a presença de 20 líderes e representantes de governos estrangeiros.

Em cerimônia incomum para um primeiro-ministro morto após ter deixado suas funções, Sharon foi homenageado pelas principais autoridades de seu país e por ex-colaboradores e amigos de seus vários momentos como militar e como político.

“Você foi o ombro sobre o qual se apoiou a segurança de nosso povo”, disse Peres ao se despedir dele, e o descreveu como “amigo, líder e um grande militar”.

Rival político de Sharon durante décadas e depois seu aliado no partido Kadima, o presidente israelense ressaltou que “sua vida está impregnada na vida do Estado de Israel” e que “sua marca está gravada em toda as colinas e todos os vales do país”.

Por sua vez, o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, com o qual teve amargas lutas políticas à frente do Likud desde 1995 até 2005, destacou que Sharon foi um “líder pragmático” e que “apesar de não concordar sempre com ele”, precisa reconhecer que “seu pragmatismo está semeado de amor a Israel e ao povo judeu”.

A cerimônia, que durou duas horas, aconteceu diante de centenas de convidados na esplanada do Parlamento israelense, palco de muitas batalhas que o controvertido Sharon travou em sua longa trajetória como deputado, ministro e chefe de governo, caminho que iniciou em 1974 ao deixar o exército com a categoria de general.

Hoje seu caixão, coberto com a bandeira israelense, era trasladado de um lugar a outro por uma guarda de honra do Parlamento e honras militares.

Na cerimônia participaram 22 representantes de governos da Europa, da América do Norte, da Ásia e da Oceania.

Os Estados Unidos foram representados por uma delegação liderada pelo vice-presidente do país, Joe Biden, que chegou nesta manhã a Israel para o funeral.

“Quando um Estado tão pequeno quanto Israel (…) perde um homem como Sharon, é normal que sinta como se alguém da família tivesse morrido, e muitos dos americanos aqui presentes hoje sentem o mesmo”, disse.

Revendo suas relações com Sharon, o vice-presidente contou algumas lembranças pessoais e destacou que “como os verdadeiros líderes, (ele) tinha uma estrela que lhe mostrava o caminho (…) um caminho do qual nunca se afastou e que consistia (em garantir) a sobrevivência de Israel”.

O ex-primeiro-ministro do Reino Unido e atual enviado do Quarteto do Oriente Médio, Tony Blair, também discursou, reconhecendo que suas primeiras reuniões com Sharon “foram difíceis” porque, para o ex-primeiro-ministro, “as situações protocolares eram desconfortáveis”.

Nas reuniões oficiais, lembrou, “costumava ler listas e anotações, e repetir várias vezes as posturas de Israel”.

Por isso, explicou, decidiu convidá-lo para um jantar fechado em sua casa em Londres, um evento fora de protocolo onde pôde conhecer “o verdadeiro Arik”, como era chamado popularmente.

“Vi então uma pessoa completamente distinta, cálida, com humor, um toque mágico e muita paixão… por seu país certamente, mas também por sua família e por seu rancho”, lembrou.

Espanha, Alemanha, França, Itália, Áustria, Noruega, Bélgica, República Tcheca, Romênia, Grécia, Chipre, Polônia, Hungria, Luxemburgo, Bulgária, Suíça, Rússia, Canadá, Austrália, China e Cingapura também estiveram presentes com delegações oficiais.

A imprensa local destacou hoje a ausência de representantes de países da América Latina e África.

O mesmo estranhamento não foi sentido, no entanto, em relação à falta dos países árabes, onde Sharon é considerado “criminoso”, embora nos últimos anos tenha conseguido restaurar suas relações com o Egito e, sobretudo, com a Jordânia.

Depois da cerimônia, seus restos foram transferidos em comboio militar para o Quartel de Latrun, onde foi ferido em 1948 e no qual o Estado-Maior lhe fará uma última homenagem.

No início da tarde o ex-líder será enterrado no Rancho dos Sicomoros – sua residência particular no deserto do Neguev Meridional – onde foi sepultada sua mulher Lili, em um funeral aberto à comunidade.

Devido à proximidade com a Faixa de Gaza, o exército israelense pôs hoje em alerta todas as suas forças na zona e ativou várias baterias antimísseis Iron Dome.

A televisão israelense informou que milícias palestinas dispararam nesta manhã dois foguetes em direção ao Mar Mediterrâneo. EFE

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