Israel se veste de luto pela morte de Ariel Sharon

  • Por Agencia EFE
  • 11/01/2014 17h25

Daniela Brik.

Tel Aviv, 11 jan (EFE).- Israel se vestiu neste sábado de luto pela morte de seu ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, um dos militares mais condecorados e um dos políticos mais controvertidos e ao mesmo tempo populares da curta história deste país.

“Já está, se foi. Se foi quando ele decidiu”, foi a breve notificação feita à imprensa por Gilad Sharon, filho mais novo do ex-líder, ao se referir à longa agonia de seu pai.

Sharon morreu no início da tarde, aos 85 anos de idade, após permanecer em coma desde 2006 no hospital Sheba, em Tel Hashomer, subúrbio de Tel Aviv.

O diretor do setor de reabilitação do centro médico, Shlomo Noi, explicou que desde sua internação seis meses após sofrer um derrame cerebral que o afastou da chefia do governo, o diagnóstico da equipe médica afirmava que ele estava imerso um estado de “conhecimento mínimo”.

“O primeiro-ministro superou todos estes anos várias complicações, e lutou por sua vida até o último momento”, afirmou o médico. Sobre a razão de sua morte, disse que “simplesmente hoje seu coração deixou de funcionar”.

Nos últimos três meses o estado do ex-primeiro-ministro tinha piorado progressivamente e há doze dias se agravou de forma irreversível por causa de uma insuficiência renal que afetou outros órgãos vitais.

Paulina Rosenberg, a enfermeira que o atendeu todos estes anos, disse à Agência Efe, ao explicar a longa agonia, que “em cada tratamento que aplicávamos podíamos ver como lutava, e lutou até o final”.

As informações sobre sua morte inundaram imediatamente as redes sociais e a imprensa israelenses, que desde a primeira hora da tarde transmitem uma programação especial ao vivo sobre a vida e o legado de Sharon.

“O Estado de Israel está de luto”, resumiu o nonagenário presidente israelense, Shimon Peres, em um pronunciamento ao término da jornada do shabat, no qual ressaltou que Sharon era “um líder grande e corajoso, de grande estatura, que amava seu povo e que era amado por seu povo”.

Peres destacou a contribuição do ex-mandatário para a segurança de Israel, e lembrou como Sharon “transformou a Guerra do Yom Kippur (1973) de uma derrota possível em uma vitória inapelável”.

Episódio citado também pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, líder do partido Likud, que Sharon abandonou em 2005 para criar a formação de centro-direita Kadima.

Netanyahu afirmou que “a memória de Sharon está gravada no coração do povo de Israel” porque era um “lutador e um grande militar”.

Inclusive seus opositores políticos da esquerda pacifista, como o ex-ministro e membro do Meretz Yossi Sarid, reconheceram hoje sua contribuição em todos os aspectos da identidade israelense e a mudança que Sharon experimentou em direção ao “pragmatismo” nos últimos anos de sua vida.

Onde obviamente não contou com nenhuma lembrança positiva foi entre os palestinos, que o viam como a máxima representação de todos seus males.

Hoje, após a notícia de seu falecimento, vários porta-vozes em Gaza e Ramala lembraram suas “atrocidades” e afirmaram que Sharon “não deixa nenhuma simpatia ou compaixão no coração dos palestinos”, em palavras de Mahmoud Labadi, chefe do Comitê de Relações Exteriores e com os Países Árabes do movimento governante Fatah.

Já o movimento islamita Hamas qualificou o ex-primeiro-ministro israelense de “criminoso” e “responsável por desgraças” contra o povo palestino.

Nascido em 1928 em Kfar Malal, uma cooperativa agrícola no centro de Israel, Sharon será enterrado, por próprio desejo, na Colina das Anêmonas, na Fazenda dos Sicômoros, onde está sepultada sua mulher, Lili, que morreu há 13 anos.

O rancho, no deserto do Neguev, era muito importante em sua vida privada e pública e nele Sharon tomava todas as decisões difíceis.

Foi neste local, no final de 2003 e princípio de 2004, que tomou a decisão de evacuar os colonos judeus da Faixa de Gaza, uma operação que realizou meses antes de sofrer o derrame cerebral e que todos os analistas consideram o núcleo de seu legado.

“A maioria dos israelenses o lembrarão como um líder militar muito importante, e do ponto de vista político sempre dependerá da quem esteja perguntando. No entanto, nos últimos anos como político gozou de muita popularidade e muitos israelenses acham que se tivesse seguido à frente do governo a situação na região seria outra, inclusive poderíamos ter alcançado a paz”, declarou à Efe Amir Marom, porta-voz do hospital em Tel Hashomer.

Uma comissão ministerial israelense deve se reunir nesta noite para decidir os detalhes oficiais do funeral, o qual, segundo o “Canal 1” da televisão local, contará com a participação do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, do ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e do enviado especial do Quarteto de mediadores para o Oriente Médio, Tony Blair.EFE

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