Japão condena manobras militares da Coreia do Sul em ilhas disputadas

  • Por Agencia EFE
  • 20/06/2014 03h31

Tóquio, 20 jun (EFE).- O governo do Japão condenou nesta sexta-feira as manobras militares feitas pela Coreia do Sul, com fogo real, nas ilhas Takeshima (Dokdo, em coreano), cuja soberania é disputada por Tóquio e Seul.

“Estes exercícios são lamentáveis. A postura do Japão é que Takeshima é nosso território e por isso não podemos tolerá-los”, disse hoje em declarações divulgadas pela emissora pública “NHK” o ministro das Relações Exteriores japonês, Fumio Kishida, após o início das manobras.

Seul comunicou a Tóquio no último dia 11 que realizaria os exercícios em uma zona marítima ao sudoeste do arquipélago disputado, uma porção que também é reivindicada pelo Japão como parte de seus mares territoriais.

A Marinha e a Guarda Costeira sul-coreana realizaram nos últimos anos vários exercícios perto das ilhotas, administradas de facto por Seul, mas nunca com a utilização de fogo real.

Ontem, o ministro porta-voz do Japão, Yoshihide Suga, pediu às autoridades do país vizinho que cancelassem as manobras, uma solicitação que foi desprezada hoje pelo Ministério da Defesa sul-coreano.

“Os exercícios militares para a defesa da República de Coreia (nome oficial da Coreia do Sul) não estão sujeitos a nenhuma reivindicação ou interferência externa, por isso as manobras já estão sendo realizadas conforme o previsto”, explicou Wi Yong Seop, porta-voz do Ministério da Defesa, em entrevista à agência japonesa de notícias “Kyodo”.

Wi também insistiu que são manobras ordinárias com fogo real e que as reivindicações territoriais japonesas não têm base.

As duas ilhotas e 35 rochedos que compõem os Rochedos de Liancourt (nome geográfico de Takeshima/Dokdo) estão no Mar do Japão, em um ponto intermediário a pouco mais de 200 quilômetros da ilha principal do arquipélago japonês e da península coreana.

O território total do conjunto de ilhotas e rochedos é de apenas 0,2 quilômetros quadrados e dois idosos sul-coreanos são os únicos habitantes do arquipélago. Os dois são protegidos por um destacamento da Guarda Costeira destinado ali por Seul desde 1954.

A disputa diplomática entre a Coreia do Sul e o Japão se agravou em 2012 por causa da visita, sem precedentes, feita pelo então presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, às ilhas. EFE