João Doria recebe o cargo de Haddad e diz que mais pobres serão prioridade

  • Por Jovem Pan
  • 01/01/2017 17h33

Fernando Haddad e João Doria Jr. se cumprimentam durante cerimônia de transferência de cargo na qual trocaram afagos

Haddad e João Doria se cumprimentam durante cerimônia de transferência de cargo

Fernando Haddad (PT) transmitiu o cargo de prefeito de São Paulo a João Doria Jr. (PSDB) na tarde deste domingo (1º) no Theatro Municipal, a poucos metros do Edifício Matarazzo (ou Palácio do Anhangabaú), sede do executivo no centro da capital paulista.

Doria foi eleito no primeiro turno da corrida pelo Palácio do Anhangabaú, algo inédito na capital paulista, com 53,29% dos votos válidos, ou 3.085.187 votos. Durante novembro e dezembro, o tucano anunciou em vários eventos, aos poucos, os 22 novos secretários de sua gestão. Com o prefeito anterior, Fernando Haddad (PT), havia 27 secretarias.

Veja quem é quem no secretariado anunciado por João Doria

Em discurso que foi finalizado com a música-tema da vitória popularizada nas conquistas de Ayrton Senna, João Doria disse que pretende “fazer desse ciclo um novo ciclo de uma cidade que é um Estado, de uma cidade que é o País, a cidade que espelha o Brasil”.

Sobre as prioridades, Doria citou, em ordem “saúde, educação, mobilidade urbana e segurança pública”, sem desmerecer nenhuma outra. “A prioridade dessa gestão será aos mais humildes e mais pobres dessa cidade”, declarou, repetindo a parte final da frase. “Não se esqueçam, todos os que estão trabalhando, essa é a nossa prioridade”, disse Doria aos secretários.

“Por isso mesmo, amanhã (segunda) vamos começar dando um exemplo, que não será um exemplo de um dia, mas de quatro anos”, disse, lembrando ato marcado para o lançamento de seu programa de zeladoria urbana, o “Cidade Limpa”.

“Todos os secretários e todos os presidentes das empresas do município estarão na rua vestindo uma roupa de gari e com uma vassoura na mão para mostrar com humildade, igualdade e simplicidade como será a gestão”, discurou, afirmando que “acordar cedo para trabalhar duro” será uma marca de seu governo.

João Doria também reafirmou: “não disputarei reeleição em qualquer circunstância”.

Quase na parte final do discurso, Doria declarou: “com Geraldo Alckmin vamos colocar o Brasil nos trilhos”, ao que foi muito aplaudido. Alckmin tem o interesse de disputar a presidência do País em 2018.

Afagos

Na primeira parte de seu discurso, João Doria não economizou nos elogios a seu antecessor, com quem disse ter uma “relação de fidalguia”. Doria, que se encontrou com Haddad várias vezes após ter sido eleito, disse que o petista contribuiu para fazer a “mais solidária, transparente, correta e democrática transição (de governo da Prefeitura) das últimas três décadas”. Doria disse que Haddad “leva isso da sua gestão para honrar a sua biografia”, agradecendo aos secretários do petista.

“Espero que você tenha uma linda trajetória de vida, seja na área acadêmica, seja na área política”, desejou Doria. Ao falar sobre Haddad, sua esposa e a vice-prefeita Nádia Campeão, Doria declarou: “vocês contribuíram para a biografia positiva dessa cidade”.

Ele lembrou também que criou um “conselho de ex-prefeitos” no qual estarão Haddad, Luiz Erundina (PSol), Paulo Maluf (PP), Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (PT), e que se reunirá “no mínimo três vezes por ano”.

João Doria disse ser um “agregador” e que nunca ofendeu ninguém nem na campanha eleitoral, embora tenha sido instigado a fazê-lo. “Nós governaremos para todos. Os que nos elegeram e os que não nos elegeram”, prometeu. “Todos merecerão o respeito de uma gestão conciliadora”, disse, afirmando que “sempre que for necessário recuar para poder avançar”, o fará. “Isso é um sinal de grandeza”.

Haddad “como um irmão”

Em seu discurso, Fernando Haddad desejou “boa sorte”, “um grande mandato e uma grande prefeitura pela frente” ao novo prefeito. “Eu vou chamar o prefeito de João porque temos uma relação cordial”, afirmou o petista, vestindo uma gravata presenteada pelo tucano.

Haddad disse que deixa a gestão “com caixa” elogiando também a diminuição que obteve em negociação com o governo federal da dívida do município, “um terço da que herdei”.

“A cidade que João Doria vai tornar ainda mais linda já é muito linda”, afirmou Haddad, em referência ao novo programa de zeladoria urbana do tucano. Haddad disse que isso vai acontecer se o próximo governo se nortear pela “tolerância” e “diversidade”.

“Fiz a transição como se fosse para um irmão”, disse ainda o petista, momento em que foi aplaudido.

“Você vai governar uma cidade que a mais eletrizante do País. É um fenômeno urbano único do mundo”, disse o petista. “São Paulo não é só do tamanho do Estado, nem do tamanho do Brasil. Dentro dela tem o mundo”, afirmou Haddad, lembrando, citando imigrantes da Síria que até hoje encontram abrigo na capital.

“Fizemos uma gestão proba, honrada e que combateu uma engrenagem de combater a corrupção, os desmandos”, declarou Haddad, sugerindo o reforço dessa estrutura.

Alckmin: “Coutinho e Pelé”

O governador Geraldo Alckmin começou seu discurso dizendo que neste domingo, “a esperança se renova em nossa cidade em todo o Brasil”. Alckmin foi saudado pela plateia presente com gritos de “futuro presidente do Brasil” e “Geraldo presidente”.

O padrinho político de Doria chamou o prefeito de alguém “versátil” e “um grande agregador”. “Acima de qualquer predicado, uma palavra norteia a sua conduta: trabalho. João Doria é um incansável trabalhador”, elogiou Alckmin. “Nesse momento de crise o Brasil precisa de um otimista racional”, continuou.

(Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo)

No final de sua fala, Alckmin lembrou que, assim como ele, Doria torce para o Santos FC e afirmou que pretende fazer uma “tabelinha” com o prefeito nos projetos para a cidade. “Nós inspiramos em Coutinho e Pelé”, disse o governador, sem especificar qual dos dois assumiria o papel do rei do futebol. Alckmin completou parafraseando parte do hino do clube do litoral e disse “agora quem dá bola é o João Doria”.

“Quem assume hoje deve entender o recado das urnas. A eleição não é um prêmio, é uma missão”, discursou também o governador. “São Paulo é o sonho que o trabalho faz virar realidade”.

Alckmin agradeceu ao ex-prefeito Haddad pelas “boas parcerias que fizemos em benefício da nossa população”.

O governador disse que Mario Covas, ex-governador paulista falecido em 2001, “deve estar dando um sorriso”, também pelo vice-prefeito ser seu neto, Bruno Covas. Alckmin disse que não é verdade que Doria negue a política quando diz ser gestor e disse que o novo prefeito não nega a política de Covas.

“Pobres”

O maestro João Carlos Martins abriu a cerimônia agradecendo o privilégio de o Theatro ser utilizado para o ato. Martins dedilhou o começo do hino nacional no piano e depois regeu a sua execução em diferentes ritmos brasileiros pela orquestra sinfônica municipal. Estiveram presentes e esposa do prefeito, Bia Doria, a mulher de Haddad, Ana Estela.

O governador de São Paulo e padrinho político de Doria, Geraldo Alckmin (PSDB), sua esposa Lu Alckmin, e outros convidados como o desembargador Paulo Dimas Mascaretti, presidente do Tribunal de Justiça. O presidente da Assembleia Legislativa Fernando Capez, também do PSDB, também esteve presente e recebeu os cumprimentos do novo prefeito e as palmas do público. Capez é acusado de envolvimento na máfia das merendas no Estado, mas não teve o nome citado em relatório final CPI da própria Assembleia sobre o escândalo.

O cardeal de São Paulo Dom Odilo Pedro Scherer fez breve intervenção e fez “um único pedido” para Doria: “não esquecer os pobres e a população da periferia”.

Primeiro discurso: gestão e “humildade”

Minutos antes da posse no Theatro Municipal, Doria foi empossado prefeito de São Paulo na Câmara de Vereadores, em sessão conduzida pelo vereador petista Eduardo Suplicy. Em breve discurso na Câmara, o tucano disse que vai “governar para todos” e pregou o respeito à “ética” e à “transparência”.

Doria também reafirmou que será um “gestor”, e não político, na administração da Prefeitura e apregoou sua própria “humildade”. Ele relembrou que se vestirá de gari junto a todos os secretários às 6h da manhã desta segunda (2) para fazer ato político de lançamento de seu projeto de limpeza urbana, a “Cidade Linda”, na avenida Nove de Julho, centro de São Paulo. Assista e veja os detalhes deste primeiro discurso AQUI. Os 55 novos vereadores também foram empossados.

https://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil/sao-paulo/joao-doria-assume-como-prefeito-de-sao-paulo-e-diz-que-vai-governar-para-todos.html

Os repórteres Jovem Pan que acompanham o ato verificaram que o local já está sendo restaurado e limpo por funcionários da Prefeitura neste domingo. Há pelo menos cinco pontos com obras sendo realizadas e caminhões de limpeza já com adesivos da “Cidade Limpa”.

Protesto e “demagogia”

Cerca de 20 pessoas do movimento de esquerda “Juntos!” fizeram um protesto contra Doria em frente ao Palácio Anchieta, sede da Câmara municipal. Por outro lado, outro grupo de populares que apoiam o prefeito furaram a cerca que havia sido feita pela Guarda Civil Metropolitana, abraçaram e tiraram fotos com Doria enquanto ele se encaminhava ao Theatro Muncipal.

Uma pessoa perguntou se haveria demagogia no novo governo, ao que o tucano respondeu na rua: “vai ter gestão, demagogia não”.