Jornalista deportado pede ao Egito para que liberte seus dois colegas presos
Cairo, 2 fev (EFE).- O jornalista australiano Peter Greste, que ontem foi deportado do Egito após passar mais de um ano na prisão no país, pediu nesta segunda-feira às autoridades egípcias que libertem seus dois companheiros que continuam presos.
Em entrevista ao canal de televisão do Catar “Al Jazeera”, para o qual trabalha, Greste disse que sente “uma incrível angústia por seus companheiros” jornalistas que permanecem presos no Egito.
“Sinto preocupação. Se foi apropriado que eu fosse libertado, eles também têm o direito de ficarem livres”, afirmou o australiano, condenado a prisão em junho de 2014 ao lado do egípcio com passaporte canadense Mohammed Fahmi e do egípcio Baher Mohammed por manchar a imagem do país e colaborar com a Irmandade Muçulmana, declarada um grupo terrorista.
Em suas primeiras declarações após passar quatrocentos dias na prisão, Greste considerou sua libertação um “grande passo adiante” por parte do Egito, e demonstrou sua esperança de que as autoridades soltem seus dois companheiros.
A família de Greste disse hoje que o repórter “não descansará” até ver Fahmi e Mohammed livres. Já o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, agradeceu ao presidente egípcio, Abdul Fatah ao Sisi, pela libertação do jornalista.
Os três repórteres do canal catariano foram detidos em dezembro de 2013 em um hotel do Cairo e sentenciados posteriormente a entre sete e dez anos de prisão.
Em 1º de janeiro, um tribunal egípcio ordenou a repetição do julgamento dos três jornalistas, mas rejeitou deixá-los em liberdade.
Al Sisi aceitou ontem a deportação do australiano, que saiu do Egito em um voo com destino ao Chipre.
Um porta-voz do Ministério do Interior explicou então que o governo decidiu entregar o jornalista ao seu país. Greste foi incluído em uma lista de pessoas beneficiárias de uma ordem presidencial de 2014 que permite a extradição de acusados e a deportação de condenados.
A “Al Jazeera” expressou seu “satisfação” pela decisão, mas exigiu a libertação dos outros dois repórteres.
O Egito e o Catar tiveram gestos de aproximação nos últimos meses, após suas relações terem sofrido uma piora pelo apoio de Doha -e da “Al Jazeera”- à Irmandade Muçulmana e suas duras críticas ao golpe militar que depôs o islamita Mohammed Mursi em 3 de julho de 2013.
O Catar também tinha problemas com a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, mas se reconciliou com esses países em novembro do ano passado após se comprometer a não interferir em seus assuntos internos, o que foi aprovado pelo Cairo. EFE
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