Jornalista que nasceu com microcefalia é contra o aborto no país

  • Por Jovem Pan
  • 02/02/2016 14h30
Jornalista que nasceu com microcefalia é contra o aborto

O aumento nos casos de microcefalia no Brasil reabriu o debate sobre o aborto no país. Atualmente só é permitido interromper uma gravidez em caso de risco à vida da mãe, quando a concepção foi resultado de um estupro ou quando o feto é anencéfalo.

Apesar de ilegal, a prática tem servido como recurso para gestantes que temem pelo diagnóstico. Segundo levantamento, muitas delas alegam não ter condições de administra a nova missão. Em alguns casos, nota-se que as mães estão se desesperando com a possibilidade de a criança desenvolver a má-formação e acabam interrompendo a gravidez no começo, mesmo sem a confirmação da microcefalia.

Em entrevista à Jovem Pan, a jovem Ana Carolina Cáceres, de 24 anos, que nasceu com microcefalia, disse que não concorda com a ação que vai pedir a liberação do aborto em caso de microcefalia no Supremo Tribunal Federal (STF). “Não sou a favor do aborto nesses casos. O correto seria [o governo] investir em tratamento e em informações sobre a síndrome”, disse.

O diagnóstico de Ana Carolina é considerável leve pelos neurologistas.  Até seus nove anos de idade, ela passou por nove cirurgias, estudou em escola regular e formou-se em jornalismo no ano passado. “O meu caso é uma exceção. Depois que me formei, fui atrás de informação e encontrei pessoas com microcefalia que também estudaram e brincaram. É incompreensível o aborto”, relatou.

A jornalista conta que sua família só descobriu a doença quando ela nasceu.  “Os médicos chegaram a achar que eu tinha síndrome de Down. Nada foi confirmado no pré-natal.  Só descobriram a microcefalia quando eu cheguei ao mundo. Com nove dias de vida, fiz a minha primeira cirurgia para a retirada de parte do crânio e correção da face. Fiz duas paradas cardíacas, mas não tive danos cerebrais e nem sequelas”.

Ana Carolina concluiu dizendo que a microcefalia é uma caixinha de surpresas. “temos que viver um dia de cada vez. Pode haver problemas mais sérios, ou não”. Ouça o áudio e confira a entrevista na íntegra.