Justiça toma depoimentos de testemunhas no estupro coletivo do Piauí

  • Por Agência Brasil
  • 24/06/2015 18h51
***ENSAIO ESPECIAL FOLHAPRESS*** NÃO COMERCIALIZAR/ENVIAR OU AUTORIZAR USO DAS FOTOS DE FRANKLIN FURTADO OU A REPRODUÇÃO DA GAROTA DANYELLE **** CASTELO DO PIAUÍ, PI, 11.06.2015: VIOLÊNCIA-PI: O Jovem Franklin Furtado Sales, 22; mostra o lugar onde ele encontrou as meninas apos subir o Morro do Garrote com alguns companheiros. Quando as jovens foram dadas como desaparecidas nos arredores do morro, a mãe de Franklin ligou para ele para que ele ajudasse na busca já que conhece muito bem a região e, segundo ele, os policiais se negaram a entrar no mato. As jovens foram jogadas de uma altura de aproximadamente 10 metros (de onde a foto foi feita). Jovens adolescentes (B.F.O, 15 anos, G.V.S., 17 anos, I.V.I, 15 anos, e J.S.R, 16 anos) raptaram, e violentaram coletivamente quatro garotas (duas de 15, uma de 16 e uma de 17 anos) no final da tarde de 27 de maio, e depois as amarraram e as jogaram de um desfiladeiro, com intuito de matá-las. Eles são acusados de raptar, estuprar e tentar matar quatro meninas (duas de 15, uma de 16 e uma de 17 anos) no final da tarde de quarta-feira da semana passada, 27 de maio. O crime imputado aos jovens e ao desempregado Adão José de Sousa, 40 anos, gerou revolta na cidade, que ainda vive clima de luto. Todas as quatro vitimas continuam internadas em estado delicado. (Foto: Fabio Braga/Folhapress). Folhapress Estupro no Piauí

Terminou, no início da tarde desta quarta-feira (24), a audiência no Fórum de Castelo do Piauí para ouvir 18 testemunhas de defesa e três de acusação no caso de estupro coletivo, que resultou na morte de uma jovem de 17 anos, segundo o promotor Cesário Cavalcante.

“Eles colocaram [as testemunhas de defesa] mais para dizer que não estariam no local, para ter um álibi”, disse o promotor.

As três vítimas serão ouvidas amanhã (25), em Teresina, informou o promotor. Ao longo desta semana, outras pessoas foram ouvidas. O primeiro foi o único adulto acusado pelo crime, Adão José de Sousa, que está preso. Ele foi ouvido segunda-feira (22) como testemunha de acusação no caso dos menores.

“Ouvimos na comarca de Altos [Piauí], porque ele está preso na Casa de Detenção de Altos [a 38 quilômetros de Teresina]. Não o  trouxemos para cá por causa do clamor na cidade. Achamos por bem ouvir ele lá como testemunha do processo dos menores”, disse Cesário Cavalcante.

De acordo com o promotor, a Justiça ouviu ontem (23) seis testemunhas em Campo Maior: dois policiais que encontraram as motos usadas pelas vítimas, a enfermeira do hospital onde foram socorridas e três conselheiros tutelares que acompanharam o depoimento dos menores, na mesma cidade piauiense.

O promotor explicou que as audiências correm em segredo de Justiça, o que permite apenas a presença do juiz, do promotor e dos defensores dos menores. Cavalcante disse que, devido ao apelo do caso, a presença dos menores foi dispensada nas audiências. “O normal é que os réus estejam presentes na audiência, mas dado ao clamor [público], achamos por bem os menores não comparecerem.”

“A polícia já entregou todos os exames, as perícias de estupro, de lesão corporal, de DNA. Está tudo concluído dentro do processo. Então, encerradas as oitivas das vítimas; vamos para as alegações finais. Na próxima semana, concluiremos as alegações finais da acusação e da defesa e faremos o levantamento das provas”, acrescentou o promotor.

Após a análise de todo o material, o processo será encaminhado ao juiz para que sejam dadas as sentenças. “Vamos concluir o inquérito antes dos 45 dias que é o prazo de internação provisória deles.”

O crime ocorreu em 17 de maio. Quatro garotas foram amarradas, agredidas e estupradas, depois jogadas do alto de um penhasco. Uma das vítimas, de 17 anos, morreu, uma garota continua internada e duas tiveram alta. A garota que morrreu, Daniely Rodrigues, teve a face esmagada, lesões no pescoço e no tórax.

De acordo com o delegado de Castelo do Piauí, Laércio Evangelista, os exames de DNA, feitos em Pernambuco, constataram a participação de Adão José e de dois dos quatro menores acusados no estupro coletivo. Os laudos já estão com o Ministério Público.