Justiça venezuelana suspende audiência de apelação do opositor Leopoldo López

  • Por EFE
  • 20/06/2016 13h20
Líder opositor venezuelano Leopoldo López durante entrevista concedida à Reuters em fevereiro do ano passado, em Caracas, na Venezuela. 11/02/2014 REUTERS/Jorge SilvaLeopoldo López

A audiência de apelação de Leopoldo López, político opositor ao chavismo condenado a quase 14 anos de prisão por incitar a violência em manifestação, foi suspensa, nesta segunda-feira (20), informou a defesa do fundador do partido Vontade Popular, em Caracas.

A audiência foi cancelada depois que um dos magistrados designados para o caso ter manifestado indisposição física para comparecer à sessão, explicou aos jornalistas o advogado de López, Juan Carlos Gutiérrez, no Palácio de Justiça.

O Tribunal de Apelações que cuida da questão, disse Gutiérrez, suspendeu a audiência sem detalhar uma nova data para a sua realização.

A suspensão da audiência coincidiu com a visita do ex-ministro da Justiça da Espanha, Alberto Ruiz Gallardón, e do advogado espanhol, Javier Cremades, que chegaram ontem à capital venezuelana para assessorar a equipe de defesa do político.

Consultado sobre a vinculação que poderia ter a chegada do ex-ministro e do advogado espanhol à Venezuela com a suspensão da audiência, o jurista indicou que “houve delações indevidas, mas, além disso, uma violação sistemática de outros direitos vinculados ao devido processo”.

Gutiérrez reiterou novamente suas denúncias sobre o processo que é levado contra seu cliente, “um processo judicial que nunca deveria acontecer dentro de um sistema que se considere democrático”, pontuamdo, por fim, que “o sistema de Justiça venezuelano tem que mostrar sua cara para o mundo e tem que proceder de maneira absolutamente independente, autônoma e imparcial”, protestou.

Para o profissional, após “uma simples leitura dos autos, em uma singela revisão das evidências apresentadas no julgamento, a Corte de Apelações teria que ditar a absolvição de Leopoldo”.

López cumpre condenação em uma prisão militar respondendo às acusações de incitação da violência, formação de quadrilha, danos à propriedade e incêndio com relação aos atos violentos que deixaram três mortos e dezenas de feridos, em 12 de fevereiro de 2014, no final de uma manifestação que gerou a onda de protestos daquele ano.

O líder partidário se entregou à polícia seis dias depois ao atender uma ordem de captura por sua suposta responsabilidade na violência ocorrida naquela manifestação antigovernamental.