Líder da oposição no Uruguai promete revogar lei da maconha se for eleito

  • Por Agencia EFE
  • 16/03/2014 16h23

Montevidéu, 16 mar (EFE).- O senador Jorge Larrañaga, pré-candidato à presidência uruguaia às eleições do próximo mês de outubro, anunciou que, caso chegue ao poder, revogará a recentemente aprovada lei da maconha que regula a produção, distribuição e venda da droga no país.

“Está claro que o tema da legalização da maconha será importante dentro da próxima campanha eleitoral e Larrañaga foi muito claro em expressar a ideia do partido”, disse neste domingo à Agência Efe o deputado Pablo Iturralde, do Partido Nacional, o principal da oposição.

“Que não plantem nada, porque vamos derrubar (a lei) a partir da formação da nova maioria (parlamentar)”, declarou o pré-candidato em discurso pronunciado ontem à noite como parte de seu lançamento de campanha.

O governo da coalizão de esquerda Frente Ampla “teve marchas e contramarchas” no tema das drogas “e atualmente tem muitas dúvidas e gera muitas mais para a regulamentação da lei”, acrescentou o senador.

Atualmente, o governo uruguaio avança na implementação da lei que regula a produção, distribuição e venda de maconha no país.

A nova lei, impulsionada pelo presidente José Mujica, gerou polêmica em nível internacional e nacional, ao estabelecer taxativamente o “controle e a regulação por parte do Estado da importação, exportação, plantação, cultivo, colheita, produção, aquisição, armazenamento, comercialização, distribuição e consumo da maconha e seus derivados”.

Mujica afirmou em várias oportunidades que o que busca é uma “alternativa” para lutar contra o narcotráfico, uma vez que pela via da repressão “a batalha está perdida no mundo todo e há muito tempo”.

A lei, que foi aprovada no último dia 10 de dezembro pelo Parlamento uruguaio apenas com os votos do governo e promulgada duas semanas depois por Mujica, é rejeitada pela maioria dos uruguaios segundo as enquetes.

Larrañaga afirmou que a maioria parlamentar que tem a Frente Ampla tanto entre os senadores como entre os deputados “causou prejuízo ao governo e ao país”.

A FA “não escuta ninguém”, se “fecha em si mesma”, e “usou essa maioria para liberar a droga”, opinou.

O pré-candidato do Partido Nacional às eleições internas do próximo dia 1 de junho, nas quais aparece como favorito, disse que o modelo político da esquerda “se esgotou e ficou sem substituição”, e prometeu trabalhar para que a educação pública “volte a ser um orgulho nacional”.

No tema da insegurança, a principal preocupação dos uruguaios segundo as enquetes, Larrañaga se comprometeu a aplicar “mão dura” contra os delinquentes, “profissionalizar” policiais e “fortalecer” o Poder Executivo para “evitar” que os criminosos “entrem por uma porta e saiam pela outra” dos tribunais.

Apesar da bonança econômica que o Uruguai viveu na última década, “a insegurança pública é grande, a educação caiu pouco a pouco, as estradas estão destroçadas e o povo reivindica soluções”, acrescentou.

Larrañaga escolheu o centro de Montevidéu, em frente à prefeitura da capital uruguaia que está nas mãos da Frente Ampla há 25 anos, para o lançamento de sua campanha eleitoral, no qual participaram milhares de pessoas. EFE