Maílson critica “excesso de otimismo” com governo Temer: esperam o pão do céu

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2016 17h48
Brasil, São Paulo, SP. 08/04/2011. O economista Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, participa do seminário "Rumos da economia brasileira", no Hotel Tivoli Mofarrej, na região sul na capital paulista. - Crédito:Vanessa Carvalho/NEWS FREE/AE/Codigo imagem:100910Maílson da Nóbrega

Quem espera que Michel Temer implementará em seus primeiros dias de governo diversas reformas econômica, política e previdênciária deve desinflar seu “excesso de otimismo”, avalia o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, que trabalhou durante a segunda parte do governo Sarney (1988-1990).

“O Temer está assumindo no sufoco”, avalia. “Não tem como ter um plano pronto e acabado para resolver o problema fiscal grave do Brasil”, diz o ex-ministro. “Isso vai demorar anos para resolver, muitos anos”.

Ele reconhece, no entanto, uma ligeira melhora nas expectativas com a saída de Dilma, que pode ocorrer nesta quarta (11). Ele classifica a mudança de governo como um “alívio para o País”, pois, em sua visão, “o Brasil vai se ver livre da mais inepta e desastrosa presidente da história republicana”.

“O que vai acontecer é que vai mudar o clima, a confiança vai melhorar. Mas a economia não dá guinada. A economia não é como um automóvel, que você dá um cavalo de pau. A economia é como um transatlântico. Demora meses, anos”, opina Nóbrega, em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

“Vivido como ele é”, diz Maílson sobre Michel Temer, “ele tem que desinflar essa expectativa que está se formando em torno dessa virada”. E decreta: “essa virada é impossível”.

Impostos e Previdência

Para Maílson, a equipe econômica de Temer não vai resolver o problema da economia apenas com corte de gastos. “O governo temer está recebendo uma herança maldita (…). Provavelmente lá na frente ele vai ter que pedir ao mercado financeiro um aumento de impostos. Reforma financeira não gera aumento de caixa”, afirmou.

Para realizar a desvinculação de receitas da União (DRU), lembra também, Temer terá que mudar a Constituição. Como essa medida poderia tirar a obrigatoriedade de parte dos investimentos em saúde e educação, Nóbrega prevê muita pressão das ruas e de “poderosos grupos”. “(Temer) tem que ter muita consciência das dificuldades que se antepõem a reformas dessa magnitudes”, afirma o ex-ministro.

Ele alerta ainda: “mesmo se conseguir fazer (as reformas), isso demora anos para tomar resultado”.

Sobre a polêmica proposta de mudar as regras da aposentadoria, prioridade do provável futuro ministro da Fazenda Henrique Meirelles, Nóbrega ressalta: “muitos deputados que votaram pelo impeachment votarão contra a reforma da previdência”.

“Se ele tentar votar todas as reformas que pedem, haverá um congestionamento da pauta e ele não fará nada”, avalia o ex-ministro. “Se eu fosse ele, caminharia por um terreno menos pedregoso”, diz Nóbrega, sugerindo investimento em infraestrutura, portos, aeroportos. Pontos estes que não enfrentariam tanta resistência da sociedade: “não tem central sindical, povo na rua”.

Nóbrega criticou a análise política de alguns especialistas em mercado. “O mercado financeiro nessa questão de análise de governo é muito superficial”, alfineta. “Estão esperando o maná do céu. Não tem como ter isso (mudança drástica)”, decreta.