Mais de 10 estados no país ficam sem energia por determinação do ONS

  • Por Jovem Pan
  • 19/01/2015 17h19
SÃO PAULO,SP,19.01.2015:PARALISAÇÃO-METRÔ-FALTA-LUZ - Movimentação na Estação República do Metrô Linha 4 Amarela, em São Paulo (SP), nesta segunda-feira (19). De acordo com a Segurança do Metrô, a linha 4 entre as Estações Luz e Paulista do estão inoperantes por falta de energia, sem previsão para normalizar. Entre a estação Paulista e Butantã, o funcionamento é normal. (Foto: GUGA GERCHMANN/Futura Press/Folhapress)Falta de luz no Metrô de SP

A partir das 15h, aproximadamente, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determinou as concessionárias de energia de alguns estados brasileiros (São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amapá, Mato Grosso, Rondônia e Alagoas) para que cortassem 700 Megawatts de energia na tarde desta segunda-feira (19).

“O Centro de Operações da Distribuidora está acompanhando a situação e segue monitorando o sistema integrado por meio do ONS”, dizia o texto da nota divulgada pela AES Eletropaulo. A redução do fornecimento afetou a operação do metrô. Duas estações da linha amarela ficaram fechadas em razão da falta de energia elétrica, segundo o consórcio Via Quatro, que administra a linha.

As estações Luz e República ficaram inoperantes. As outras cinco estações da linha (Paulista, Fradique Coutinho, Faria Lima, Pinheiros, e Butantan) operaram normalmente.

A falta de energia em São Paulo, segundo a concessionária, ocorreu na região da Luz, no centro da capital paulista. Segundo a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), as demais linhas da cidade operaram normalmente. A linha amarela é a única concedida a iniciativa privada. Às 15h50, a AES Eletropaulo informou que restabeleceu a totalidade da carga de energia distribuída.

O professor Luis Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobrás disse que esse corte é possível de ser feito para se evitar que se caia um grande setor, mas “isso não poderia ter feito desse modo. As pessoas estão sem luz há muito tempo”. Ele ainda comentou que faltam explicações da concessionária responsável por cada Estado, do ONS e da Aneel. “É preciso o governo reconhecer a gravidade do problema e fazer uma campanha para economizar energia, desligar tudo aquilo que é supérfluo”, completou Pinguelli.

De acordo com o professor Ildo Sauer, o corte de energia foi uma medida preventiva para evitar um colapso no sistema, o que causaria um grande blackout no país. “Pelos indícios, a carga, seu consumo estava tão alto, que poderia levar o sistema a sofrer um desligamento quando se passa dos limites de segurança. Não se trata de poupar água ou economizar energia, nesse instante tudo indica que é um problema elétrico. Se de um lado o ONS agiu de maneira preventiva para não sofrer um colapso, de outro mostrou um despreparo. Isso mostraria que não fizemos investimento e/ou manutenção preventiva necessário para evitar esse episódio”, disse o professor.

Já o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), Nivalde de Castro, disse que o caso não é um problema de falta de investimento, nem um problema estrutural. “Foi um problema pontual, não estrutural. Deve ter ocorrido um problema elétrico e não energético de linhas de transmissão que enfrentaram problemas. Seria um problema se ficasse uma semana sem energia elétrica”, relatou.

“O que preocupa é a falta de planejamento. O Governo sempre fica esperando que vai chover (…) Tem que ter um plano de uso eficiente da energia. Da mesma forma que a presidente foi em rede nacional dizer que ia baixar a tarifa, ela tem que ir em rede nacional pedir que o cidadão poupe energia”, disse Adriano Pires Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

A professora e economista, Elena Landau afirmou que tem-se um problema grave na forma que a energia é gasta no Brasil. “O ONS evitou um colapso administrando um corte seletivo de energia. Foi um corte abitrário. O que o ONS fez foi previsível desde 2012”, comentou.

O Ministério de Minas e Energia disse que não determinou nenhum corte de energia e se esquivou das responsabilidades e disse que quem deve responder pelo problema que atingiu diversos estados brasileiros é o ONS.