Mais de 80 pessoas são detidas durante greve contra a Constituição no Nepal

  • Por Agencia EFE
  • 24/07/2015 10h57

Katmandu, 24 jul (EFE).- Pelo menos 80 pessoas foram detidas durante a greve convocada nesta sexta-feira pelo Partido Comunista do Nepal de Netra Bikram (CPN, maoísta) contra a aprovação de uma Constituição, cujo texto neste momento é elaborado pelos partidos majoritários no Parlamento.

“Detivemos piqueteiros em vários lugares do vale de Katmandu. Ficaram sob custódia policial os que portavam gasolina e os que tentaram destruir veículos a pedradas”, disse à Agência Efe o superintendente Singh Khadka, porta-voz do comissário da Polícia Metropolitana.

O transporte, o turismo e a educação foram os setores mais afetados pelo dia de greve, que foi seguido por 60% das lojas, garantiu à Efe o presidente da Federação de Câmaras de Comércio e Indústria do Nepal, Pashupati Murarka.

A Polícia do Nepal assinalou que foram poucos os incidentes embora um caminhão tenha sido queimado e pelo menos sete veículos destruídos em Katmandu e arredores.

O CPN de Bikram não faz parte do Parlamento, transformado em Assembleia Constituinte desde o final de 2013 para a redação de uma carta magna, e se opôs reiteradamente a esse processo por considerar que não responde às demandas da população, exigindo que o texto saia de uma assembleia política nacional.

Os quatro partidos majoritários: os governantes Congresso Nepalês (NC) e Partido Comunista do Nepal Unificado Marxista-Leninista (CPN UML) assim como os opositores Partido Comunista Unido do Nepal (UCPN, maoísta) e o Fórum Madheshi Janaadhikar (MJF) acertaram no mês passado um texto de 16 pontos como base para a Constituição.

O porta-voz do CPN de Bikram, Khadga Bahadur, disse à Efe que cerca de 200 líderes e quadros da formação foram detidos durante a greve.

“Nosso objetivo é pressionar o governo, não incomodar o público em geral, portanto nossos quadros não fizeram uso da força para realizar a greve”, disse o dirigente comunista, ao assinalar que essa legenda continuará os protestos se o Executivo não escutar seus pedidos. EFE