Manifestações provocam caos em São Paulo; entenda

  • Por Jovem Pan
  • 09/05/2014 10h27

São Paulo teve dia de caos com quatro manifestações de sem teto contra a Copa no Brasil que terminaram em ocupação de prédios de empreiteiras. Os movimentos invadiram temporariamente sedes de três construtoras que fazem obras do evento: Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez.

As ações coincidiram com a inauguração do estádio do Corinthians, nesta quinta-feira, em Itaquera, que contou com a presença de Dilma Rousseff. Falando ao repórter Anderson Costa, o prefeito Fernando Haddad prometeu ações para amenizar o déficit habitacional em São Paulo.

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Na semana passada, um grupo de sem teto entrou em confronto com a polícia durante o debate sobre o plano diretor na Câmara Municipal. O aumento das invasões a prédios na capital revela, no entanto, a dificuldade de se solucionar o déficit habitacional em São Paulo.

Ao menos 90 propriedades estão ocupadas ilegalmente na capital e as ações dos movimentos ganharam força nas últimas semanas. O presidente da Comissão de Direito Urbanístico da OAB, Marcelo Manhães, lamentou que a pressão venha pelo uso da força.

Manhães avaliou ainda que os movimentos sociais estão desvirtuando pleitos legítimos.

Em entrevista ao repórter Thiago Uberreich, o ex-secretário estadual da habitação, Lair Krahembul, disse que a política da força não resolve o problema. Krahembul acha que o plano diretor não contempla como deveria as ações em prol das moradias populares.

A urbanista Lucila Lacreta, diretora executiva do Movimento Defenda São Paulo, afirmou que o monopólio privado contribui para o déficit habitacional.

A urbanista Lucila Lacreta apontou que o alto preço dos terrenos criou um impasse para incentivar a construção de moradias de baixa renda. Enquanto que a maioria dos empregos está na região central, a população carente é obrigada a viver em áreas periféricas.