Mantega diz que governo está disposto a mais sacrifícios por superávit fiscal

  • Por Agencia EFE
  • 21/02/2014 16h23

Rio de Janeiro, 21 fev (EFE).- O governo está disposto a um novo sacrifício, adicional ao corte de gastos públicos anunciado ontem, caso seja necessário para cumprir a meta de ajuste fiscal definida para 2014, afirmou nesta sexta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

“Caso seja necessário faremos um sacrifício suplementar”, afirmou o ministro em uma teleconferência com analistas e com a imprensa internacional ao ser perguntado se o possível aumento das despesas com energia pode ameaçar o cumprimento da nova meta de superávit primário.

Mantega admitiu que o governo precisá elevar suas despesas com energia neste ano caso as represas das hidrelétricas não recuperem o nível de água adequado e que, para satisfazer a demanda, seja necessário manter em operação as termoelétricas, cuja energia é significativamente mais cara.

“O governo está preparado para cobrir eventuais despesas adicionais. Caso seja necessário faremos um sacrifício suplementar e poderemos ter outras fontes de renda não previstas no orçamento”, afirmou.

O Brasil gera a maior parte da eletricidade que consome em hidrelétricas, mas a seca dos últimos meses reduziu o nível das represas e obrigou o governo a colocar em operação termoelétricas mantidas como reserva.

O ministro afirmou que apenas em abril, dependendo do nível das represas, o governo saberá se terá que manter em operação as termoelétricas e aumentar suas despesas em energia.

“Mas, se haver necessidade, faremos um esforço adicional para que a meta fiscal de 1,9% não seja afetada. Para que seja cumprida pontualmente”, sustentou.

O governo anunciou ontem que impôs como meta terminar este ano com um superávit fiscal primário equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), uma economia nas contas públicas igual a alcançada no ano passado.

Para conseguir tal meta, o governo anunciou igualmente um corte de gastos de R$ 44 bilhões de seu orçamento em 2014.

“Com um superávit de 1,9% conseguiremos, assim como no ano passado, reduzir a dívida pública bruta e líquida”, afirmou.

Mantega disse que o governo fará todos os esforços necessários para cumprir a meta de superávit fiscal que se impôs e considera viável, já que em anos anteriores, em meio à crise internacional, atingiu objetivos maiores.

“Antes da crise começar tivemos elevados superávits primários. Em 2008, alcançamos um superávit de 3,1% do PIB, e em 2009 de 2%. Esperamos que nos próximos anos, passado o período de vacas magras, tenhamos resultados mais sólidos. Mas o importante é que, inclusive com resultados inferiores, seguimos reduzindo a dívida bruta e líquida”, afirmou.

O ministro disse também que o esforço fiscal se manterá inclusive em um ano em que o Brasil terá eleições.

“Faremos este corte de gastos independente do ano eleitoral. Não nos pautamos pelo assunto político em relação às contas públicas. Fizemos em anos eleitorais esforços maiores ou menores dependendo das necessidades econômicas e não das políticas. O importante é manter a gestão fiscal”, disse.

O superávit primário, a diferença entre a receita e os gastos públicos sem ter em conta o destinado ao pagamento de juros da dívida, é utilizado como referência de compromisso com a austeridade fiscal.

No entanto, quando inclui as despesas com juros, o país historicamente registra déficits públicos. EFE