Mediterrâneo foi a rota mais fatal para imigrantes em 2014

  • Por Agencia EFE
  • 04/08/2015 10h38

Genebra, 4 ago (EFE).- Mais de dois mil imigrantes morreram este ano ao tentar atravessar o Mediterrâneo, desde a norte da África até Europa, o que transformou esta rota “na mais mortal para os imigrantes que buscam uma vida melhor”, informou nesta terça-feira a Organização Internacional de Migrações (OIM).

No mesmo período do ano passado morreram nesse trajeto 1.607 imigrantes, quase a metade das 3.279 pessoas que morreram em todo o ano de 2014.

Os números evidenciam que o Canal da Sicília, no Mediterrâneo central, que liga a Líbia à Itália, é muito mais perigosa do que outras rotas.

Apesar de Itália e Grécia terem tido um número parecido de chegadas de imigrantes (97 mil e 90.500, respectivamente), as taxas de mortalidade foram muito diferentes.

Na Itália morreram 1.930 imigrantes este ano, enquanto no caso da Grécia foram 60, disse a OIM.

A última tragédia no Mediterrâneo ocorreu na semana passada no Canal da Sicília, quando 19 imigrantes – parte de um grupo de 456 – morreram.

O motor do bote se reaqueceu e a água potável disponível foi utilizada para esfriá-lo, o que provocou a morte de 14 passageiros de calor, fadiga e sede, segundo testemunhas de outros imigrantes que viajavam na mesma embarcação.

Apesar das continuas tragédias, a OIM reconheceu hoje que o número de mortes diminuiu de forma significativa nos últimos meses e que em grande medida isto se deve ao reforço da operação Triton, um dispositivo da União Européia para vigiar suas fronteiras marítimas e que recupera as vítimas de naufrágios.

O relançamento dessa operação colocou à disposição mais embarcações que controlam as águas internacionais, onde as imigrantes enfrentam as maiores dificuldades.

Neste ano, cerca de 190 mil imigrantes foram resgatados.

A OIM alertou que nos próximos meses, de verão no hemisfério norte, a tendência é que aumentem as tentativas de atravessar o mediterrâneo. EFE