Mercado automotivo encolhe e setor aposta em recuperação apenas em 2017

  • Por Jovem Pan
  • 06/01/2016 12h04
Governo do Estado do Rio de Janeiro/Divulgação/05.04.2017Falta de peças diminuiu produção de carros no Brasil

Montadoras brasileiras buscam ampliar exportações para conter queda nas vendas no mercado interno. Com o câmbio favorável, as vendas externas cresceram 19% em 2015, apesar do volume financeiro se manter estável.

Já o mercado interno registra três recuos consecutivos, 1% em 2013, 7% em 2014 e 27% em 2015. A exportação de 370 mil veículos, US$ 8 bilhões de dólares, está longe de ser a salvação para a crise, mas representa uma alternativa futura as fábricas.

Recentemente, o Brasil assinou com o Uruguai o primeiro acordo de livre­comércio do setor automotivo entre países do Mercosul. Há a expectativa positiva nas negociações com a Argentina, principal mercado, com o presidente Maurício Macri, além de Colombia e México.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, acredita em recuperação somente no final de 2016, caso haja solução política. Moan defende “a separação das questões políticas e das decisões econômicas”.

“Vamos tratar as questões políticas no seu devido tempo, com a maior celeridade possível, mas a economia não suporta mais não ter a adoção das medidas necessárias para nosso ajuste macroeconômico”, disse. (Ouça o depoimento completo no áudio ao lado – com fala inicial do diretor da Mercedes-Bens, Luiz Carlos Moraes).

As montadoras reclaman da alta carga tributária e a infraestrurura que impedem uma competição mundial, somente favorecida pelo efeito câmbio. Em 2015, 835 concessionárias de veículos fecharam no Brasil, ressalta o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpão.

“Nós voltamos basicamente em volume (de produção) a nove, 10 anos. Em resultado, a 20 anos. E, nessa configuração do que está entrando e quem deixou de operar, esse é o pior saldo dos últimos 20 anos. Lembrando que hoje temos uma estrutura infinitamente maior do que era há 10 ou 20 anos”, analisa o líder da Fenabrave. (Ouça as explicações completas no áudio ao lado).

Num reflexo direto da queda do PIB, de 3,5%, o setor de caminhões, diretamente ligado a economia, foi o mais atingido. O diretor da Mercedes-Bens, Luiz Carlos Moraes, reforça a queda de 50% no mercado nas vendas em 2015.

“(A recuperação) vai depender um pouco do ajuste fiscal, de o PIB ter algum sinal de melhora, e por enquanto a gente não está vendo isso. Estamos vendo um 2016 muito difícil. Se 2016 for igual a 2015 já será muito bom”, diz Moraes.

O acordo com o Uruguai embora seja coniderado modesto, no volume de compra de veículos, é importante para um novo modelo nas negociações. O setor automotivo não é contemplado pelas regras de livre­comércio do Mercosul e os acordos são específicos entre os países.

Reportagem de Marcelo Mattos