Mercado europeu de automóveis deve crescer também em 2015 e receber chineses

  • Por Agencia EFE
  • 25/10/2014 03h37

Xangai (China), 25 out (EFE).- O presidente da Associação de Construtores Europeus de Automóveis (ACEA), Carlos Goshn, também presidente da Aliança Renault-Nissan, afirmou neste sábado na China que espera que o mercado europeu continue crescendo em 2015 após a recuperação de 2014, mas em um ritmo menor, e que os veículos chineses entrem nesse mercado”.

Goshn se encontrou com a imprensa durante a 12ª edição do Fórum Anual da Indústria do Automóvel na China, organizado pela Escola Internacional de Negócios China-Europa (CEIBS) de Xangai.

“Por enquanto, o mercado europeu cresceu 6%, o que é uma boa notícia, porque esta é a primeira vez que o mercado europeu está crescendo desde o colapso do sistema financeiro”, afirmou Goshn.

As vendas de veículos na Europa, segundo os números da própria ACEA, cresceram 5,8% anualizado nos primeiros nove meses de 2014, com 9,9 milhões de unidades entre janeiro e setembro.

Entre as marcas europeias, a Renault é a que mais cresceu nesse período (10,6%, com 650 mil unidades).

Mas ele se mostrou cauteloso com este ritmo de crescimento, que acredita que será menor em 2015.

“Estes quase 6% representam que uma recuperação: não é um crescimento em si mesmo, só é uma recuperação, e mesmo assim continuamos abaixo do que era o setor em 2007”, precisou.

“Esperamos que em 2015 esta recuperação continue, embora não preveja outro aumento de 6%, acho que o crescimento será provavelmente mais moderado alinhado com o crescimento do PIB (europeu)”, indicou.

“Mesmo assim, somos razoavelmente otimistas e pensamos que 2015 vai a ser um ano de crescimento”, insistiu.

Goshn falou sobre as possibilidades de sucesso que os carros fabricados na China podem chegar a ter no mercado europeu.

Ainda são muito poucos os fabricantes chineses (como Qoros, que obteve excelentes resultados nos testes de choque EuroNCAP) com tecnologia à altura das estritas exigências de segurança e de emissões do mercado europeu, mas Goshn confessou que é “questão de tempo” que as marcas chinesas concorram na UE.

“No setor do automóvel há um monte de mudanças: há recém chegados, novas marcas, novos produtos, novos conceitos, tudo está mudando todo o tempo”, comentou.

“Acho que as marcas chinesas na Europa, não só na Europa, mas particularmente na Europa, têm uma oportunidade de concorrer desde que se encaixem às necessidades do consumidor europeu”, indicou.

“Estamos dependendo do desenvolvimento de seus produtos, e do desenvolvimento da estratégia dos fabricantes chineses na Europa, e o consideramos parte da maneira como os negócios são feitos: em qualquer momento pode ter rivais que venham de outros mercados e comecem a concorrer pelo mercado europeu”, disse.

Isto, acrescentou, acontecerá cedo ou tarde, “da mesma maneira que nós, os fabricantes europeus, concorremos pelo mercado chinês”, embora tenha reiterado que o velho continente deseja que haja “uma concorrência realmente aberta e mundial”.

Desta maneira, concluiu, a possibilidade de acabar aparecendo uma ou várias marcas chinesas capazes de concorrer na Europa e no mundo todo “não é percebida com surpresa, achamos que é algo que vai acontecer, e só é questão de quão rápido e quão bem-sucedido será”. EFE