Milhares de pessoas exigem em Chisinau renúncia do governo moldávio

  • Por Agencia EFE
  • 27/09/2015 14h13

Moscou, 27 set (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas, até 50 mil segundo os organizadores, se manifestaram neste domingo no centro de Chisinau para exigir a renúncia do governo moldávio e a convocação de eleições antecipadas.

Duas colunas integradas por milhares de manifestantes -uma do Partido Socialista da Moldávia (PSM) e outra do pró-Rússia Nosso Partido- percorreram hoje as ruas da capital para confluir diante do parlamento moldávio, onde se uniram ao comício organizado pela apolítica plataforma DA (Dignidade e Justiça).

O PSM -principal força opositora no Legislativo moldávio- e o esquerdista Nosso Partido -expulso há um ano da corrida eleitoral ao parlamento apesar das enquetes lhe outorgarem forte apoio dos eleitores- se somaram nesta semana ao protesto indefinido contra o governo liderada pela DA.

Os dois blocos unidos contra o governo não têm nada em comum: enquanto a DA acusa as autoridades de conter com a corrupção o avanço para a Europa, os esquerdistas defendem a integração do país na União Econômica Euroasiática (Rússia, Belarus, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão) liderada por Moscou.

Ativistas do PSM e da formação pró-russa do empresário Renato Usati instalaram dezenas de tendas de campanha em um protesto levantado em 7 de setembro pela DA diante do parlamento moldávio, na praça da Grande Congregação Nacional.

O primeiro-ministro moldávio, o liberal Valeri Strelets, autorizou o caráter indefinido do protesto popular, embora tenha pedidos aos manifestantes que cumpram com a lei.

Os protestos organizados pela plataforma Dignidade e Justiça ocorreram no começo do ano, quando as autoridades reconheceram o roubo de US$ 2 bilhões de três bancos moldávios aos quais o Estado concedeu numerosos créditos.

Depois que os três bancos, integrados em um mesmo grupo, usaram US$ 1 bilhão entre 2012 e 2013, segundo sua versão mediante uma cascata de más decisões financeiras, o governo do então primeiro-ministro, Yuri Lianke, assinou um decreto secreto para emprestar outros US$ 1 bilhão.

Depois se soube que esse dinheiro também tinha desaparecido e o governo moldávio teve que reconhecer que tinha emprestado dinheiro às três entidades corruptas.

Os manifestantes exigem a devolução do dinheiro e a renúncia dos dirigentes de toda uma série de organismos e instituições públicas, entre eles o Banco Central, a Procuradoria Geral, a Comissão Anticorrupção e o serviço de Alfândegas.

A plataforma DA está formada por distintas organizações civis e ativistas de todo o espectro político, desde a direita até a esquerda. EFE