Militantes, internet, flores e até solidão no fim de campanha na Argentina

  • Por Agencia EFE
  • 07/08/2015 00h36

Buenos Aires, 6 ago (EFE).- A campanha para as eleições primárias do próximo domingo na Argentina foi encerrada nesta quinta-feira com eventos próprios de cada pré-candidato presidencial e recursos variados para tentar conquistar os últimos votos, desde os tradicionais atos com militantes, ações na redes sociais, distribuição de flores e até mesmo a solidão.

Líder nas pesquisas, o candidato governista Daniel Scioli optou por encerrar o mês de campanha com um grande comício no parque Tecnópolis, na periferia norte de Buenos Aires, e foi recebido pelo calor da militância kirchnerista.

“Me preparei para isso com grande responsabilidade, para voltar meu trabalho e meus princípios para exercer a presidência em plenitude a partir do dia 10 de dezembro”, disse Scioli.

A atual presidente, Cristina Kirchner, não participou do evento, que contou, no entanto, com a presença de vários ministros e governadores aliados de outras províncias.

Scioli, atual governador da província de Buenos Aires e que ocupou a vice-presidência no governo do falecido Néstor Kirchner (2003-2007), evocou as figuras de Evita e Juan Domingo Perón, destacando também as políticas promovidas durante os 12 anos de kirchnerismo na Argentina.

“Eu posso e vou fazer o que estiver faltando, sustentar o que precisar de apoio, aprofundar o que necessitar ser aprofundado, mudar o que tiver que ser mudado. Vou fazer tudo da minha maneira”, disse Scioli, prometendo melhorias na economia, educação, saúde e segurança do país.

O principal candidato da oposição, o conservador Mauricio Macri, líder do partido Proposta Republicana (Pró), preferiu participar de vários programas de televisão no último dia de campanha, ao lado de sua esposa, a design de moda Juliana Awada.

Macri, atual prefeito de Buenos Aires, aproveitou para pedir aos seus 2 milhões de “amigos” no Facebook e aos 1,5 milhão de seguidores no Twitter que divulguem sua foto e digam publicamente que irão votar nele nas primárias.

O próprio candidato divulgou uma foto de sua filha aderindo à campanha, com a hashtag “YovotoaMM”, que rapidamente entrou para os principais tópicos em discussão na rede social na Argentina.

Da mesma forma, o também opositor Sergio Massa, da Frente Renovadora, usou a televisão para encerrar a campanha. Depois de um grande ato em um estádio de Buenos Aires ontem, hoje ele foi entrevistado em uma emissora ao lado da mulher, Malena Galmarini.

Outros candidatos também optaram pelas tradicionais ações com militantes, apesar de usarem espaços menores, como Elisa Carrió e Ernesto Sanz, rivais de Macri, e dois dos três candidatos de esquerda, Jorge Altamira e Nicolás del Caño.

No entanto, a candidata do partido Novo Movimento ao Socialismo, Manuela Castañeira, preferiu ficar em frente a uma fábrica de pneus, onde distribuiu panfletos e dialogou com os operários.

Já Margarita Stolbizer, da frente centro-esquerdista Progressistas, deu flores às pessoas que passavam pelas ruas do centro de Buenos Aires. Depois, foi a uma estação de metrô para visitar uma mostra comemorativa dos 70º aniversário dos bombardeios nucleares contra Hiroshima e Nagasaki.

O encerramento mais original da campanha foi o do candidato menos conhecido das primárias: Mauricio Yattah, do Partido Popular. Ao contrário dos demais concorrentes, ele concluiu a campanha sozinho, não por vontade própria.

No centro da cidade de Mar del Plata, com um megafone na mão, mas sem público, Yattah enumerava as medidas que tomará caso chegue à Casa Rosada.

Depois, na sua conta no Twitter, replicou as matérias divulgadas pela imprensa argentina que mostravam, com imagens, seu “evento” esvaziado. Então, se juntou em um bar com os poucos jornalistas que foram cobrir seus últimos e peculiares atos de campanha.

Começa a vigorar nesta sexta-feira às 8h locais (mesmo horário em Brasília) a proibição dos atos de campanha e a divulgação de pesquisas eleitorais.

Cerca de 32 milhões de argentinos irão às urnas para as primárias, que contam com 15 pré-candidatos à presidência. Eles precisam obter pelo menos 1,5% dos votos para poder concorrer no pleito geral de outubro e seguir na briga pela Casa Rosada. EFE

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