Mineradora não tinha sistema para alerta da população em situação de risco

  • Por Jovem Pan
  • 07/11/2015 12h22
MARIANA, MG, 06.11.2015: BARRAGENS-MG - Vista dos estragos causados pela lama. As barragens de contenção de rejeitos da mineradora Samarco Fundão se romperam na tarde desta quinta-feira (5), no subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana (a 124 km de Belo Horizonte). A lama arrastou carros e caminhões, encobriu quase todas as casas do subdistrito em que fica a barragem e deixou moradores ilhados. A barragem armazenava resíduos da mineração. Segundo a Defesa Civil, há pessoas soterradas e ilhadas. (Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia/Folhapress)Estragos causados pelo rompimento das barragens em Mariana

Mineradora responsável por barragem que rompeu em Mariana não tinha sirenes para alertar a população em situações de risco. De acordo com os diretores da empresa Samarco, as autoridades municipais foram avisadas por telefone após o rompimento da barreira.

O diretor-presidente da mineradora destacou que se conduziu de acordo com as normas de Defesa Civil em Minas Gerais. Ricardo Viscovi afirmou que o procedimento adotado após o rompimento da barragem foi o mais correto para alertar os moradores.

“Esse é o plano de emergência confeccionado, aprovado e em vigência, inclusive executado dentro da Samarco com periodicidade definida, atores definidos. Estava em vigência e foram acionados da maneira correta”, explicou.

Viscovi afirmou ainda que os trabalhadores relataram um tremor de terra minutos antes do rompimento da barragem.

No entanto, o Promotor de Justiça Carlos Eduardo Ferreira Pinto, disse que a empresa deve ressarcir o município, seja qual for a causa do acidente. “A responsabilidade ambiental é objetiva e, portanto, não se precisa demonstrar dolo ou culpa da empresa. Ela vai ser obrigada legalmente a reparar todos os danos e compensar os danos irreversíveis ao patrimônio cultural e ao meio ambiente”, esclareceu.

O Ministério Público de Minas Gerais vai pedir a suspensão da licença de operação da Samarco até que as causas do rompimento sejam apuradas.

O governador de Minas, Fernando Pimentel, visitou a área afetada e relatou que até o momento a principal preocupação é o resgate dos desaparecidos. “Nossa preocupação é atender os desabrigados, localizar os desaparecidos, apurar as vítimas e atender bem as famílias atingidas. O governo do Estado está inteiramente mobilizado e vamos continuar trabalhando pelo tempo que for necessário”, disse.

O Centro Sismológico da USP detectou que a incidência de quatro tremores de terra na região da barragem horas antes do rompimento. No entanto, o sismólogo Bruno Collaço explicou a Anderson Costa que ainda não é possível estabelecer uma relação direta entre os sismos e a tragédia.

“Um tremor de magnitude tão baixa não seria capaz de causar uma destruição como essa, mas não podemos ficar livres desta coincidência. Mas ainda não conseguimos afirmar que os fatos estão relacionados”, afirmou.

Os abalos foram detectados entre as 14h10 e as 16 horas a cerca de cinco quilômetros da área onde estava a construção.

O diretor do Departamento de Infraestrutura do Instituto de Engenharia, Roberto Kochen, disse que um tremor desta magnitude não destruiria a barragem. “Por serem tremores de intensidade baixa, a barragem, se tivesse construída dentro dos parâmetros adequados, poderia até sofrer algum dano, algum deslocamento, mas não teria ocorrido uma ruptura geral”.

Kochen suspeita que as determinações da Lei Nacional de Segurança de Barragens não foram observadas adequadamente. O diretor do Instituto de Engenharia enfatizou que no Estado de São Paulo um acidente como esse é praticamente impensável.

As equipes de resgate mantém os trabalhos de buscas por desaparecidos pela região.