Ministro da Justiça diz que prisão de líder do Sinn Fein foi “apropriada”

  • Por Agencia EFE
  • 04/05/2014 22h59

Dublin, 3 mai (EFE).- O ministro de Justiça da Irlanda do Norte, David Ford, qualificou neste sábado de “totalmente apropriada” a atuação da polícia (PSNI) na detenção do presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, pelo assassinato em 1972 de uma católica pelo IRA.

A PSNI continua interrogando hoje o dirigente republicano, após um juiz autorizar ontem o período de detenção ser ampliado por mais 48 horas, o que enfureceu o Sinn Fein, que ameaça retirar seu apoio às forças da ordem, o que provocaria uma grave crise no processo de paz.

“É normal que se alguém vai ser possivelmente detido no marco de uma investigação, a detenção se efetue no início das conversas”, explicou à cadeia “BBC” Ford, líder do Partido Aliança, formado por membros da comunidade católica e protestante.

O ministro se referia ao começo do caso de Adams, que na quarta-feira se apresentou voluntariamente, como tinha antecipado em março, em uma delegacia de Antrim, ao norte de Belfast, para colaborar nas investigações sobre o assassinato com a polícia, que efetuou a prisão.

“Não sei se Gerry Adams pensou que ia se apresentar no departamento de delitos graves de Antrim, ter uma pequena conversa de meia hora e ir embora de novo”, afirmou.

O dirigente lembrou também que as decisões adotadas pela PSNI foram “apoiadas ontem por um juiz independente”.

Para o Sinn Fein, a ampliação do período de detenção de Adams, demonstra que sua prisão é uma “manobra política” destinada a prejudicar o partido nas eleições locais e europeias deste mês.

A legenda republicana também citou “forças obscuras” dentro da PSNI que conspiraram com setores radicais do unionismo norte-irlandês para prejudicar o partido e o processo de paz.

Adams foi preso pelo assassinato de Jean McConville, uma viúva de 37 anos e mãe de 10 filhos que foi levada à força de seu domicílio de Belfast por membros do IRA e executada por supostamente espionar para as forças de segurança britânicas, acusação que se demonstrou falsa.

Seu corpo foi enterrado em uma praia do condado irlandês de Louth, na fronteira com o Ulster, e só foi encontrado em 2003, quatro anos depois do já inativo IRA reconhecer publicamente sua autoria e dar pistas sobre seu paradeiro. EFE