Ministro israelense se desculpa por declarações contra Kerry

  • Por Agencia EFE
  • 15/01/2014 08h46

Jerusalém, 15 jan (EFE).- O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, desculpou-se com o secretário de Estado americano, John Kerry, pelas polêmicas declarações nas quais classificou o diplomata de “messiânico” e “obsessivo”.

“O ministro da Defesa não teve a intenção de ofender o secretário de Estado e se desculpa se este se ofendeu por palavras atribuídas ao ministro”, disse um comunicado do Ministério da Defesa de Israel divulgado na madrugada desta quarta-feira.

Um jornal israelense publicou ontem que Yaalon teria afirmado que Kerry “devia deixar em paz” Israel e que não entendia de questões de segurança.

“Na realidade, não houve negociações entre nós e os palestinos em todos estes meses, mas sim entre nós e os americanos. O que poderia nos salvar é que deem o Prêmio Nobel a John Kerry e ele nos deixe em paz”, teria dito Yaalon.

O jornal não indicou onde nem quando as declarações foram feitas, apenas que ocorreram em um encontro com colaboradores e durante uma recente viagem do secretário de Estado à região para mediar entre israelenses e palestinos.

Yaalon também expressou desconfiança com as propostas de segurança que Kerry está avaliando, entre elas as relacionadas com o futuro do fronteiriço Vale do Jordão, que Israel considera vital para sua segurança.

O ministro teria opinado que o secretário de Estado atua com uma “obsessão fora de comum e um fervor messiânico” e que não poderia dar lições sobre o “conflito com os palestinos”.

Em sua breve desculpa Yaalon não desmente ter feito as polêmicas declarações e se limita a esclarecer que “Israel e Estados Unidos compartilham o mesmo objetivo de fomentar a paz entre Israel e os palestinos pelas mãos de Kerry. Apreciamos seus esforços para conseguir esse objetivo”.

A imprensa local afirmou que a desculpa foi pedida pela pressão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e do Departamento de Estado americano, que ontem considerou as palavras atribuídas ao ministro uma ofensa e demonstração de desprezo para quem “trabalha dia e noite para tentar propiciar uma paz segura para Israel”. EFE