Morte de 5 bebês por rotavírus faz Argentina aumentar medidas de prevenção

  • Por Agencia EFE
  • 03/07/2014 19h55

Buenos Aires, 3 jul (EFE).- As autoridades de saúde da Argentina pediram nesta quinta-feira que as medidas de prevenção sejam intensificadas após a morte de cinco bebês por rotavírus, que provoca quadros de diarréia grave e gastroenterite em recém-nascidos e crianças pequenas, na periferia noroeste de Buenos Aires.

Outros cinco crianças tiveram resultado positivo confirmado, e quatro permanecem internados com evolução positiva no hospital doutor Claudio Zin, na cidade da província de Buenos Aires de Malvinas Argentinas, informou o ministério de Saúde provincial em comunicado.

“O paciente que estava em situação crítica já saiu da assistência respiratória mecânica e está evoluindo de forma satisfatória”, disse o ministro da Saúde portenho, Alejandro Collia.

Ele pediu aos pais que recorram a ajuda médica assim que observarem que a criança está com diarreia.

“Minimizar o quadro e esperar alguns dias para uma consulta é o pior que podemos fazer se um neném tem diarreia: aí é que as coisas pioram gravemente, com risco de desidratação e morte”, alertou Collia.

“Quero transmitir tranquilidade à população, fundamentalmente aos pais e às mães: a causa, apesar de ser comum, pode ser prevenida com medidas de higiene adequadas e consultas rápidas ao médico e aos centros de saúde”, acrescentou.

Entre as medidas de prevenção o secretário destacou a lavagem frequente das mãos, a manutenção da amamentação e a vacinação contra o rotavírus para os menores de nove meses, que na Argentina será incluída no calendário de vacinas a partir do janeiro.

“As vacinas não são efetivas em 100% dos casos”, alertou à Agência Efe o chefe ambulatorial de pediatria do Hospital Austral, Fernando Burgos, mas ressaltou que a vacinação diminui a virulência da doença.

“É um vírus frequente no inverno, e é transmitido muito facilmente pela via oral e fecal”, acrescentou.

Segundo Burgos, o rotavírus causa um processo inflamatório no estômago que provoca vômitos e diarréias agudas que, se não for tratado a tempo, leva a uma rápida desidratação e pode ocasionar a morte, especialmente em menores de dois anos com algum grau de desnutrição.

“Na Argentina estima-se que no inverno o surto de rotavírus mata uma criança a cada três dias”, apontou o médico, ao lembrar que muitos casos de infectados por rotavírus não são diagnosticados, já que a detecção requer análise de laboratório.

“O que os médicos fazem é tentar estabilizar o paciente, por meio da reidratação oral”, explicou Burgos sobre o tratamento mais frequente.

A combinação do rotavírus com outros vírus e bactérias, comuns nos meses mais frios do ano, como os que provocam problemas respiratórios, aumenta o risco dos infectados.

Os cinco bebês que morreram no noroeste da periferia de Buenos Aires nas últimas semanas tinham entre 8 e 13 meses e em todos os casos foi constatado que a consulta médica tinha sido tardia, ressaltou o Ministério da Saúde provincial. EFE