MPL recua e volta às ruas de São Paulo apenas daqui a um mês

  • Por Agência Estado
  • 29/01/2016 08h58
São Paulo - Manifestação do Movimento Passe Livre se concentra no Largo Paissandú e vai até a prefeitura de São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)Ato desta quinta do Passe Livre reuniu menos gente que os anteriores; movimento tem perdido adesão

O Movimento Passe Livre (MPL) desistiu da estratégia de promover ao menos dois atos por semana, como vinha fazendo desde o início do ano, e marcou a próxima “grande mobilização” apenas para daqui a um mês. Mas pequenos atos devem continuar sendo realizados. No 7º grande ato contra o aumento da tarifa de transporte público em São Paulo, que ocorreu nesta quinta-feira, 28, os militantes disseram que pretendem fechar ruas e pular catracas até o próximo protesto, em 25 de fevereiro. No dia 9 de janeiro, a tarifa de ônibus, trens e metrô subiu de R$ 3,50 para R$ 3,80.

Durante o protesto desta quinta, a Polícia Militar prendeu um manifestante. De acordo com a corporação, o jovem, que não teve o nome divulgado, foi apontado como autor de cenas de depredação no ato do dia 8, como a quebra de vidraças de um ônibus e de um carro da São Paulo Transporte (SPTrans). No fim da passeata, houve bate-boca quando seguranças fecharam a Estação Anhangabaú do Metrô, e um funcionário da empresa ficou ferido após levar uma pedrada de um manifestante.

O 7.º ato do MPL era uma aula pública sobre a gratuidade da passagem na frente da Prefeitura, no Viaduto do Chá, centro da capital paulista. O grupo havia convidado para a reunião o prefeito Fernando Haddad (PT) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas nenhum dos dois compareceu.

O governo do Estado afirmou, em nota, ter tentado o diálogo com o movimento por duas vezes, nos dias 13 e 14, “a fim de garantir a livre manifestação do coletivo e o direito de locomoção” dos paulistanos. “Todos os convites foram recusados”, informou. A Prefeitura não se manifestou até as 23h30 de ontem.

A concentração começou às 17 horas no Largo do Paiçandu e, por volta das 18h30, o ato seguiu até a Prefeitura. Mascarados fizeram a linha de frente da manifestação. Segundo o tenente-coronel Márcio Streifinger, comandante da operação, a PM já estava preparada para o trajeto. “Sabíamos que o caminho era curto e já tínhamos algo planejado”, disse.

MPL faz ato com aula pública no centro de SP (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O comandante da operação não fez estimativa de público, mas afirmou que o protesto de ontem tinha menos gente do que o ato anterior, na terça-feira, no qual a Secretaria da Segurança Pública estimou 250 pessoas. A adesão foi caindo ao longo dos atos – no primeiro, em 8 de janeiro, a PM havia estimado em 3 mil a quantidade de manifestantes.

Às 19 horas, o protesto chegou à sede do Executivo municipal. Em uma das paredes, black blocs picharam “R$ 3,80 não”.

Imposto progressivo

Um dos idealizadores do passe livre e ex-secretário de Transporte na gestão Luiza Erundina, Lúcio Gregori assumiu o microfone e defendeu a cobrança de imposto progressivo. “Para ter gratuidade é preciso ter recursos. No Brasil, os ricos pagam poucos impostos”, disse.

Por volta das 20h20, o MPL queimou duas maquetes de catracas, encerrando o ato. Carol Oliveira, porta-voz do movimento, disse que o “MPL não vai sair das ruas” até o dia 25. Ela criticou a postura da PM, que “represou” as manifestações, deixando a população entrar nos atos “a conta-gotas”. “É natural que os governantes se sintam ameaçados quando a população vai para as ruas. Em 2013 teve efeito e eles agora vão reprimir”, afirmou Carol.

No momento da dispersão do ato, a Estação Anhangabaú fechou as portas e houve bate-boca entre seguranças do local e manifestantes que não conseguiram entrar. Usuários que voltavam do trabalho e pretendiam usar o metrô começaram a xingar os manifestantes.

Aposentada por invalidez, Monica Cunha, de 54 anos, havia passado o dia inteiro fazendo hemodiálise em Santo Amaro, na zona sul, e aguardava do lado de fora da estação a liberação do portão. “Já passei por muita coisa nessa vida. Deixei de comer para pagar minha faculdade de Direito e agora, com fome depois de quatro horas de sessão de hemodiálise, tenho que aguentar isso.”

O auxiliar de telemarketing Franklin Cassio Martins, de 19 anos, também reprovou a atitude dos manifestantes. “Tem uma senhora ali que acabou de fazer hemodiálise. É sacanagem. Eu também não tenho dinheiro para pagar a passagem, acho justo protestar na rua, mas não desse jeito.”

Um grupo que estava junto com os manifestantes tentou forçar a abertura dos portões no momento em que os seguranças da companhia controlavam a entrada dos passageiros. Houve nova confusão e os guardas voltaram a trancar as entradas. Um funcionário do Metrô ficou ferido na cabeça após levar uma pedrada. A situação de abre e fecha se estendeu por cerca de uma hora e meia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.