MST completa três décadas de lutas por reforma agrária

  • Por Agencia EFE
  • 20/01/2014 19h46

Waldheim García Montoya.

São Paulo, 20 jan (EFE).- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), uma das maiores organizações camponesas do mundo, completa nesta segunda-feira três décadas de lutas sociais e, apesar da força política que conquistou, critica que a reforma agrária continua distante.

Os sem-terra surgiram em um encontro nacional realizado em Cascavel, cidade no interior do Paraná, entre 20 e 23 de janeiro de 1984, um ano antes do final da ditadura militar.

“O propósito do movimento era e continua sendo claro: assentar o maior número de famílias e conseguir a reforma agrária. O primeiro objetivo podemos dizer que foi parcialmente conquistado, mas no segundo são poucos os avanços”, avaliou a socióloga Sonia Bonadio à Agência Efe.

Para a analista, “uma reforma agrária como o movimento propôs em suas raízes ainda não foi conseguido. Não é só assentar famílias por assentar. É algo mais complexo e com muitos mais fatores para levar em conta, como acesso a crédito, garantias no mercado e condições de trabalho para a agricultura familiar”.

“Quando mais se achava que a reforma agrária (plena) seria uma realidade com a chegada de um partido de esquerda ao poder, o jogo político impediu que essa meta se concretizasse”, ressaltou Bonadio.

O MST, que representa quase quatro milhões de famílias em 24 dos 27 estados do país, se tornou em 2002 um importante apoio do então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a saída de Lula da presidência e a chegada de sua sucessora, Dilma Rousseff, as críticas do MST ao governo aumentaram, apesar de o coletivo apoiar em 2010 a candidatura dela pelo PT.

Em março de 2012, apesar das críticas, Dilma disse que seu governo não considera que a reforma agrária seja “um mero ato de distribuição de terras, mas um modelo integral de desenvolvimento para o campo”.

Em 2013, disse à Efe uma fonte do Ministério de Desenvolvimento Agrário, foram publicados cem decretos para desapropriação de terras e algumas medidas complementares à reforma agrária, como as que regulam a concessão de créditos e subsídios para perdoar algumas das dívidas dos produtores assentados.

O movimento realizará seu próximo Congresso Nacional entre 10 e 14 de fevereiro em Brasília, em um encontro que pretende reunir 15 mil militantes.EFE