Mujica viaja para Cuba para participar da cúpula da Celac

  • Por Agencia EFE
  • 27/01/2014 12h28

Montevidéu, 27 jan (EFE).- O presidente do Uruguai, José Mujica, viajou nesta segunda-feira para Cuba para participar a partir de amanhã da 2ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), onde também será condecorado pelo governo do México.

O chefe de Estado uruguaio viaja acompanhado do chanceler Luis Almagro e de uma reduzida comitiva, confirmaram à Agência Efe fontes da presidência.

O governo mexicano anunciou na sexta-feira passada que concederá a Mujica a ordem da Águia Asteca por seu “impulso ao fortalecimento das relações bilaterais”. A distinção será entregue amanhã em Havana durante a cúpula.

O líder uruguaio afirmou que pretende se reunir em Cuba, após participar da cúpula, com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, e com representantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Mujica explicou em declarações exclusivas à revista “Búsqueda” publicadas na semana passada que deseja “seguir ajudando novamente e concretamente para que se acelere o processo de negociação” entre o governo e a organização.

“Nunca antes, desde os 50 anos em que começou esse enfrentamento, se esteve tão perto de se concretizar a paz. Esse é um objetivo superior e merece todo o apoio”, acrescentou Mujica, ex-líder guerrilheiro que ficou preso por 13 anos, antes e durante a ditadura que governou o Uruguai entre 1973 e 1985.

Santos afirmou que não tem informação sobre a solicitação de Mujica, mas frisou que isso “possivelmente ocorra” já que ambos participarão da cúpula.

O presidente do Uruguai poderia manter também em Cuba um encontro com a presidente argentina Cristina Kirchner para tentar destravar vários temas que nos últimos meses afetaram as relações bilaterais.

O chanceler Almagro afirmou na semana passada que o diálogo entre os dois países tinha piorado em função da autorização da administração de Mujica para um aumento de produção da fábrica de celulose da empresa finlandesa UPM, situada na fronteira comum.

“A partir dessa decisão, certos temas eclodiram e geraram estas brechas”, declarou Almagro à emissora local rádio “Sarandí”.

Entre estes conflitos se destacam as restrições que a Argentina impôs em novembro ao desembarque de mercadorias de seus navios no porto de Montevidéu, o que provocou uma queda de mais de 40% no tráfego marítimo na capital uruguaia, segundo autoridades locais.

Almagro qualificou a situação de “desastre para o comércio” e afirmou que as medidas “se emolduram em uma lógica perversa” da relação bilateral. EFE