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Agricultores protestam na Alemanha e na França contra acordo UE–Mercosul

Bloqueios atingem rodovias e áreas urbanas próximas a Berlim e Paris em reação ao tratado comercial e a demandas internas do setor agrícola europeu

Nicolas Robert

Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR)
Tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural (CR) THOMAS SAMSON / AFP

Produtores rurais na Alemanha e na França realizaram mobilizações nesta quinta-feira (8) para pressionar governos europeus contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Os protestos envolveram bloqueios em estradas, uso de tratores e interrupções no trânsito, ampliando a tensão sobre a votação do tratado prevista para esta semana em Bruxelas.

No norte e no leste da Alemanha, agricultores fecharam trechos de rodovias e acessos a Berlim, incluindo pontos da A19, A20 e da B96, segundo emissoras regionais. Em algumas áreas, a polícia dispersou piquetes não anunciados. As ações foram convocadas pela Associação de Agricultores de Brandemburgo e pelo movimento “O campo conecta”, com bloqueios programados até o fim da tarde no horário local.

Os organizadores afirmam que o acordo comercial expõe o setor agrícola alemão a uma concorrência desigual e defendem menos carga tributária, maior proteção do mercado doméstico e estímulo ao abastecimento regional. Caso o tratado seja aprovado, líderes do protesto ameaçam pressionar pela saída da Alemanha do pacto.

Na região de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os atos ocorreram de forma mais dispersa e sem paralisação completa do tráfego, segundo a rede NDR. Embora critique o acordo, a principal entidade nacional do setor, a Associação de Agricultores Alemães, não se juntou às manifestações.

Em paralelo, agricultores franceses iniciaram bloqueios antes do amanhecer em estradas que levam a Paris e em áreas próximas a pontos turísticos, como a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo. Tratores ocuparam vias importantes, entre elas a A13, o que provocou longos congestionamentos no entorno da capital e aumentou a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron.

Os sindicatos rurais na França afirmam que o acordo UE–Mercosul pode inundar o mercado europeu com alimentos mais baratos e reivindicam respostas para demandas internas, como a política adotada para combater uma doença que atinge o gado no país. Os manifestantes defendem a vacinação dos rebanhos e criticam a estratégia oficial de abate, considerada excessiva pelo setor.

O governo francês tem sido um dos principais opositores ao tratado dentro da UE, mesmo após negociações recentes em Bruxelas. A disputa ganha peso político nesta semana, já que a votação do acordo pelos Estados-membros está prevista para sexta-feira. A Comissão Europeia tenta superar resistências oferecendo recursos adicionais no próximo orçamento agrícola e ajustando tarifas de importação de insumos.

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O texto é apoiado por países como Alemanha e Espanha, e conta com maior receptividade na Itália. Caso Roma confirme o apoio, a UE teria votos suficientes para aprovar o acordo independentemente da posição francesa.

Durante os protestos, o governo francês orientou a polícia a evitar confrontos, afirmando que os agricultores “não são inimigos”.

*Com informações da EFE
Publicado por Nícolas Robert

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