Apesar de censura, coronel alerta em TV estatal que Rússia ainda sofrerá muito na guerra

Mikhail KhodarIonok defendeu que país precisa de mais senso de realidade em operações na Ucrânia

  • Por Jovem Pan
  • 18/05/2022 18h57
Alexander NEMENOV / AFP desfile Rússia Rússia tem tido dificuldades para atingir seus objetivos militares na Ucrânia

O analista militar e coronel aposentado do exército da Rússia Mikhail Khodarionok conseguiu furar a censura da TV estatal russa e fazer um comentário franco sobre a guerra que Moscou trava na Ucrânia: o país comandado por Vladimir Putin ainda pode sofrer muito na guerra e os ucranianos devem continuar se mobilizando, com auxílio das nações da Europa e América do Norte. “Você não deve engolir informações tranquilizantes”, disse Mikhail Khodarionok, um coronel aposentado, em participação no talk show “60 Minutes” do canal Rossiya-1, apresentado por Olga Skabeieva, uma das jornalistas mais pró-Kremlin da televisão. “A situação, francamente falando, vai piorar para nós”, disse Khodarionok, um convidado regular da TV estatal.

“O desejo de defender a pátria existe na Ucrânia e eles [ucranianos] pretendem lutar até o fim”, disse Khodarionok, para quem os ucranianos podem recrutar até um milhão de homens para lutar.  “O principal em nosso negócio é ter um senso de realidade político-militar: se você for além disso, a realidade da história o atingirá com tanta força que você não saberá o que o acertou. A principal deficiência de nossa posição político-militar é que estamos em plena solidão geopolítica e – embora não queiramos admitir – praticamente o mundo inteiro está contra nós, e precisamos sair dessa situação”, alertou o coronel aposentado, que também é colunista do jornal gazeta.ru e formado em uma das academias militares de elite da Rússia. Khodarionok ainda pediu que não fossem feitos ‘acenos com foguetes’ na direção da Finlândia, país que compartilha uma fronteira de 1,3 mil quilômetros com a Rússia e pediu para aderir à Otan – a Rússia citou o medo de que a Ucrânia passasse a integrar a aliança militar ocidental como uma das razões para a invasão.

*Com informações da Reuters