Após tiroteios, 214 prefeitos dos EUA pedem maior controle de armas ao Senado

Líderes enviaram carta ao Parlamento dias depois dos massacres em Ohio e no Texas, que deixaram dezenas de mortos

  • Por Jovem Pan
  • 08/08/2019 20h30 - Atualizado em 08/08/2019 20h31
TOM RUSSO / EFE

Mais de 200 prefeitos dos Estados Unidos enviaram um pedido ao Senado para que os parlamentares tomem medidas a fim de aumentar o controle de armas no país. Os mandatários pedem que a Casa retorne do recesso de agosto para avaliar dois projetos de lei já aprovados pela Câmara que tratam do assunto.

O pedido foi feito através de uma carta ao líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, poucos dias depois após os tiroteios ocorridos no fim de semana passado em El Paso, no Texas, e Dayton, em Ohio. O democrata de maior categoria da casa, Chuck Schumer, também recebeu o documento.

“Os trágicos eventos em El Paso e Dayton no fim de semana são só as últimas recordações de que a nossa nação não pode mais esperar que o nosso governo federal tome as medidas necessárias para evitar que as pessoas que não deveriam ter acesso às armas de fogo possam comprá-las”, escreveram governantes em carta.

Entre os signatários estão os prefeitos de El Paso, Dee Margo, e de Dayton, Nan Whaley, assim como os de outras cidades que sofreram tiroteios em massa nos últimos tempos, incluindo os de Orlando e Parkland, na Flórida, Pittsburgh, na Pensilvânia, e Annapolis, em Maryland.

Em fevereiro, a Câmara dos Representantes, de maioria democrata, aprovou uma lei segundo a qual o governo federal deverá fazer um controle de antecedentes penais de todas as pessoas que queiram comprar uma arma, inclusive os que comprarem pela internet ou em festivais de armas.

Atualmente, em nível federal, os vendedores que comercializam pela internet ou em festivais de armas não são obrigados a fazer esses controles.

O segundo projeto de lei aprovado pela Câmara dos Representantes busca ampliar o tempo que uma pessoa terá de esperar para comprar uma arma: agora, o FBI demora cerca de três dias para fazer o controle de antecedentes.

A nova lei propõe aumentar para dez dias esse período, com o objetivo de impedir que alguém, de maneira impulsiva, adquira uma arma para cometer um atentado ou tirar a própria vida.

Na carta, os prefeitos consideram que ambos os projetos de lei “tornariam mais seguras” as suas cidades e os moradores. Além disso, frisam que “de maneira nenhuma (as medidas) comprometeriam os direitos dos proprietários de armas”, protegidos pela Segunda Emenda da Constituição dos EUA.

A carta dos líderes locais chega após vários democratas pressionarem McConnell para que volte a convocar o Senado, dominado pelos republicanos e cujos integrantes estão de férias.

No entanto, o republicano se mostrou contrário e disse que se trata de um “discurso teatral partidário e de campanha”, segundo a imprensa.

Com Agência EFE