Assange se declara culpado de espionagem diante de tribunal de Justiça dos EUA
Julian Assange, liberado de uma prisão no Reino Unido, se declarou culpado nesta quarta-feira (noite de terça, 25, em Brasília) em um tribunal americano em uma ilha do Pacífico como parte de um acordo que lhe permitirá recuperar a liberdade. Assange, processado pelas autoridades americanas por ter revelado centenas de milhares de documentos confidenciais, admitiu sua responsabilidade em uma “conspiração para obter e revelar informações relativas à defesa nacional”. O fundador do WikiLeaks, de 52 anos, chegou ao tribunal de Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, um território americano, vestido com um terno preto e gravata ocre. “Sou culpado da informação”, disse Assange no tribunal. Em seguida, ele brincou com o juiz dizendo que sua satisfação com o acordo “depende do resultado da audiência”. O WikiLeaks anunciou em sua página na internet que Assange viajará ainda nesta quarta-feira para Canberra, capital da Austrália, após a audiência em Saipan.
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O ativista australiano pode ser condenado a 62 meses de prisão. Por já ter cumprido esse período de prisão preventiva em Londres, a expectativa é que ele possa seguir em liberdade para a Austrália. Ele era alvo de 18 acusações, enfrentava o risco de ser condenado a até 175 anos de prisão com base na Lei de Espionagem. O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, um dos advogados de Assange, comemorou que ele “possa, finalmente, ser um homem livre, após quase 14 anos de luta privado de liberdade, nas condições mais adversas”. A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direito Humanos, Elizabeth Throssel, celebrou a libertação de Assange e “os avanços significativos para uma solução definitiva do caso”, que “gerou uma série de preocupações relacionadas aos direitos humanos”, acrescentou. “Não deveria ter sido privado da liberdade por nenhum dia por ter publicado informações de interesse público”, disse Rebecca Vincent, diretora da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou “uma vitória democrática e da luta pela liberdade de imprensa”. “O mundo está um pouco melhor e menos injusto hoje”, acrescentou. O acordo, que encerra uma saga de quase 14 anos, que inclui sete anos de confinamento na embaixada do Equador em Londres, foi anunciado duas semanas antes de uma audiência crucial nos tribunais britânicos. Nos dias 9 e 10 de julho, o recurso de Assange contra a sua extradição para os Estados Unidos seria examinado. Desde 2019, quando ele foi levado para uma prisão de segurança máxima em Londres, Assange lutava para não ser entregue à Justiça americana, que o persegue pela publicação de mais de 700 mil documentos confidenciais sobre atividades militares e diplomáticas, em particular no Iraque e Afeganistão.te momento”.
*Com informações da AFP
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