Ataques no Irã: especialistas preveem transição difícil e risco de escalada terrorista
Em entrevista ao vivo na Jovem Pan News neste sábado (28), três especialistas em geopolítica e relações internacionais analisaram os desdobramentos da operação militar americana e israelense contra o Irã, com destaque para a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei anunciada pelo presidente Donald Trump.
O coronel da reserva Paulo Filho, o comentarista Diego Tavares e o professor Niemeyer traçaram um cenário complexo: enfraquecimento do regime dos aiatolás, mas baixa probabilidade de mudança imediata de governo, com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) pronta para assumir o poder e riscos elevados de ações assimétricas e terrorismo.
“O objetivo político definido pelo presidente Trump e pelo primeiro-ministro Netanyahu é a mudança de regime no Irã”, afirmou o coronel Paulo Filho logo no início.
‘Não haverá rendição imediata’
Para o coronel da reserva e analista de geopolítica, a eliminação de Khamenei foi resultado de uma operação de inteligência “extensa e exitosa”, com fontes humanas infiltradas no próprio governo iraniano. No entanto, ele alertou que a morte do líder supremo não significa automaticamente o colapso do regime.
“Provavelmente alguém da Guarda Revolucionária iraniana vai assumir o governo rapidamente. Eu não acredito que imediatamente todo mundo vai se render e vai haver uma mudança de regime de maneira tranquila”. Paulo Filho destacou o contra-ataque iraniano inédito, que atingiu “praticamente todos os estados do Golfo”.
Na avaliação do coronel, o Irã demonstrou resiliência, mas enfrenta a “mais poderosa força armada da história” — os Estados Unidos — aliada a Israel. “Tudo vai depender da capacidade do Irã de manter esse esforço após os mais de 900 ataques americanos só hoje”, disse.
Ele não descartou um recrudescimento de ações terroristas e de guerra híbrida em todo o mundo, lembrando que Khamenei era líder máximo do xiismo: “É possível sim que a gente possa vir assistir um recrudescimento de ações terroristas, não só na região, mas em todo o mundo”.
‘O mundo se torna melhor’
O advogado e comentarista político Diego Tavares classificou o dia como “histórico” e comemorou o enfraquecimento do regime: “O mundo torna-se um lugar melhor com o enfraquecimento do regime dos aiatolás e com a morte de Ali Khamenei. É impossível pensar o contrário. São protagonistas de um regime autoritário que oprime mulheres, oprime minorias e persegue dissidentes.”
Ainda assim, Tavares foi realista sobre a transição: citando o exemplo da Venezuela, previu que os americanos vão negociar com as estruturas já consolidadas — no caso, a própria Guarda Revolucionária. “As chances de uma deposição do regime neste momento eu também acredito que são poucas.” Segundo ele, Trump agiu estritamente pelos interesses norte-americanos: desmilitarização do Irã e fim do programa nuclear.
Reforma no Conselho de Segurança
O professor de relações internacionais José Niemeyer, do Ibmec-RJ, criticou a ineficiência do Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu às pressas após os ataques. Ele lembrou que China e Rússia vetam qualquer moção contrária a seus interesses, enquanto EUA, Reino Unido e França fazem o mesmo do outro lado.
“É importante que a gente comece a pensar também que o Conselho de Segurança seja repensado. Retirar o poder de veto, ter 11 membros e aprovar por maioria simples.”
Niemeyer citou possíveis novos membros permanentes: Alemanha, Japão (embora difícil por causa da China), Brasil, Nigéria, Indonésia e África do Sul. “Isso talvez seja um sonho numa noite de verão da minha parte”, reconheceu.
*texto feito com auxílio de IA
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