Biden quer recuperar influência sobre o Brasil e ganhar apoio contra Rússia na Cúpula das Américas
Especialistas apontam que o presidente norte-americano se preocupa com a abordagem em relação às políticas de investimentos chinesas na América Latina

Líderes das Américas se reúnem na Califórnia, nos Estados Unidos, para realização da Cúpula das Américas. Evento que, como apontam o especialista ouvidos pela Jovem Pan, tem como principal objetivo tentar recuperar a influência que os norte-americanos tinham na América Latina. “Não só Joe Biden como outros governantes dos EUA focaram seus esforços na Europa e deixaram a América Latina de lado”, explica o doutor em relações internacionais Igor Lucena. Muito dessa vontade de retomar os laços está associada ao fato de que, diferentemente do que era observado na década de 1990, hoje o principal parceiro comercial de países importantes da América, como: Brasil, Uruguai, Argentina e Peru, é a China. “E Biden se preocupa com essa abordagem que vem se expandindo em relação às políticas de investimentos chinesas”, aponta Lucena.
Contudo, o primeiro dia de realização, na segunda-feira, 6, já foi marcado pelo boicote mexicano. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, informou que não participará da Cúpula porque o anfitrião não convidou todos os governos da região — Cuba, Nicarágua e Venezuela foram deixadas de lado. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, chegou ao evento nesta quinta, 9. Os especialistas alertam que não há expectativas quando sua participação. “O papel do Brasil é importante, mas não acredito que vá assumir uma posição muito grande porque está passando por enormes problemas”, aponta o professor de relações internacionais Kai Enno Lehmann, ao pontuar que a cúpula “não é prioridade no momento” e não está sendo feita em um momento certo, visto que alguns países já passaram por eleições presidenciais. Outros, como o Brasil, então no meio de uma campanha eleitoral, além de Biden enfrentar “problemas internos”.
Para Lucena, o que podemos esperar é uma tentativa de reaproximação do Brasil e os Estados Unidos. “O governo brasileiro se aproximou de Trump, e quando ele não ganhou houve um distanciamento”, relembra Lucena, acrescentando que o encontro que acontece nesta semana pode voltar a aproximar os países e fazer com que “projetos avancem”. Até porque os EUA precisam do Brasil e querem ele que e adote uma postura contra a Rússia, que, desde o dia 24 de fevereiro, está bombardeando a Ucrânia. A cúpula não deve mudar a posição brasileira em relação ao conflito no Leste Europeu. Apesar de Bolsonaro não ter anunciado apoio à Rússia, Lehmann aponta que o país “não tem mais interesse estratégico em se envolver [no conflito]”.
Essa é a primeira vez que Biden e Bolsonaro vão se encontrar cara a cara. Para Lucena, “talvez seja a primeira vez que a gente veja os representantes dos dois países dialogando acordos comerciais e a expansão dentro deste segmento”. “O Brasil é um parceiro econômico importante por causa dos Brics e pelo seu peso na parte de impostação e exportação”, fala o doutor em relações internacionais, lembrando que os brasileiros e os norte-americanos vinham negociando a abertura do mercado dos EUA para os brasileiros. Talvez essa questão avance caso a reunião seja positiva.
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