Brasil participa de reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela

Hoje, países membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) se reuniram de forma virtual para discutir a ação americana em território venezuelano

  • Por Rany Veloso
  • 04/01/2026 16h10 - Atualizado em 04/01/2026 16h11
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EFE/EPA/LUKAS COCH AUSTRÁLIA E NOVA ZELÂNDIA FORA Uma bandeira das Nações Unidas tremula do lado de fora da sede da ONU em Nova York, EUA, em 21 de setembro de 2025. Austrália, Canadá e Grã-Bretanha reconheceram formalmente o estado da Palestina, anunciaram os respectivos primeiros-ministros dos países em 21 de setembro de 2025. (Reino Unido, Nova York) EFE/EPA/LUKAS COCH AUSTRÁLIA E NOVA ZELÂNDIA FORA O governo brasileiro avalia que a Venezuela não deve se render à pressão americana

O Brasil participa amanhã (5) da reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, convocada a pedido da Colômbia, para discutir a escalada da crise na Venezuela após a operação militar dos Estados Unidos. Nenhum dos dois países, Brasil e Colômbia, ocupa atualmente assento permanente ou rotativo no órgão. Enquanto isso, hoje, países membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) se reuniram de forma virtual, com a participação de ministros, para avaliar os desdobramentos do ataque norte-americano em território venezuelano.

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Também hoje, foi divulgada uma nota conjunta assinada por Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha.

No documento, os governos manifestam repúdio às ações militares unilaterais realizadas pelos Estados Unidos, classificando-as como uma violação aos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, especialmente a soberania, a integridade territorial e a proibição do uso da força.

O texto alerta ainda que a ofensiva representa um precedente perigoso para a paz e a segurança regional e coloca a população civil em risco.

A nota evita citar nominalmente Nicolás Maduro, reflexo da falta de consenso internacional sobre o regime venezuelano. Maduro foi capturado na madrugada de sábado, em Caracas, durante a operação americana, junto com a esposa, e levado aos Estados Unidos para ser julgado por acusações de narcotráfico. O presidente Donald Trump afirma que Maduro comandava o chamado Cartel de los Soles.

Apesar das acusações, há consenso na comunidade internacional de que o interesse estratégico dos Estados Unidos está ligado ao petróleo venezuelano. Em declaração à imprensa neste sábado, Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela até que haja uma transição política e que o petróleo do país “voltará a fluir”, com petroleiras americanas à frente da produção e da infraestrutura.

O governo brasileiro avalia que a Venezuela não deve se render à pressão americana e considera que ficou claro que a ofensiva tem motivação econômica. O presidente Lula orientou seus ministros a adotarem um posicionamento crítico à operação dos Estados Unidos, linha que será defendida pelo Brasil na reunião do Conselho de Segurança da ONU.

O governo brasileiro reconheceu ainda no sábado, após a segunda reunião entre Lula e ministros, Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, levando em conta o apoio interno demonstrado após a reunião do Conselho Venezuelano realizada após o ataque.

Em pronunciamento, Delcy Rodríguez afirmou que o país “nunca será colônia de outro” e declarou que a Venezuela vai se defender de uma intervenção americana, pedindo resistência dos ministros e da população.

Na nota divulgada, os países também reforçam que a crise venezuelana deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo e da negociação, sem interferência externa. O texto reafirma a América Latina e o Caribe como zona de paz e expressa preocupação com qualquer tentativa de controle externo de recursos naturais, classificando essa prática como incompatível com o direito internacional.

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